Eleições 2022: saiba quem é quem na 3ª via e o desempenho nas redes

Partidos buscam nomes para se contrapor à polarização entre Lula e Bolsonaro, mas desempenho no meio digital e nas pesquisas não empolga

atualizado 28/07/2021 7:30

Ainda sem cara definida para as eleições de 2022, a chamada terceira via testa nomes proeminentes do cenário político em busca de uma candidatura que possa servir como alternativa à polarização entre o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), favorito até o momento nas pesquisas.

As conversas para tentar bater de frente com o bolsonarismo e o petismo envolvem nove partidos: MDB, PSDB, DEM, PSL, Cidadania, Solidariedade, PV, Podemos e o Novo.

Até o momento, é impossível falar em um só nome, ou em quantos nomes poderão encarnar essa contraposição. No entanto, há um consenso entre todos os presidentes das legendas envolvidas na formação da terceira via: se for para lançar uma candidatura realmente competitiva, os caciques estão dispostos a abrir mão de ser cabeça de chapa.

Essa premissa é que fez, por exemplo, o PDT, que pretende lançar o nome de Ciro Gomes (CE) em 2022, não integrar o grupo. Ciro não abre mão de ser candidato e também coloca-se como alternativa à polarização.

“Centro equilíbrio”

Em meio a reuniões, manifestos e conversas no grupo de WhatsApp intitulado “centro equilíbrio”, os presidentes das nove legendas pretendem criar até o próximo ano uma plataforma que inclua modelos de desenvolvimento econômico, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento regional que lhes dê identidade política.

O grupo ensaia a possibilidade de formar, já a partir do início do ano que vem, uma equipe de comunicação integrada para dar corpo a esse desenho.

Ações conjuntas

A frente de centro já realizou pelo menos duas manifestações conjuntas na política nacional. A primeira ocorreu contra a proposta de reforma do Imposto de Renda. A segunda, quando houve o repúdio às ameaças de Bolsonaro às eleições por causa da não inclusão do voto impresso.

Apesar de ter sido considerado dura, a crítica às declarações de Bolsonaro sobre o pleito causaram o primeira racha no grupo. A presidente do Podemos, Renata Abreu (SP), não assinou o documento de repúdio por falta de consenso no partido sobre o assunto.

“Quem se colocar contra esse direito de livre escolha do cidadão terá a nossa mais firma oposição”, prometeram os presidentes dos partidos. Assinaram a nota ACM Neto (DEM), Baleia Rossi (MDB), Bruno Araújo (PSDB), Eduardo Ribeiro (Novo), José Luís Penna (PV), Luciano Bivar (PSL), Paulinho da Força (Solidariedade) e Roberto Freire (Cidadania).

Desempenho

Cada nome apontado pelas siglas como alternativa para terceira via tem sido acompanhado pela consultoria AP Exata por meio de uma plataforma de monitoramento dos presidenciáveis. A pedido do Metrópoles, a empresa levantou o desempenho de cada candidato na última semana (19 a 23 de julho) no Twitter.

A plataforma monitora diariamente os nomes de Bolsonaro, Lula, Ciro, Rodrigo Pacheco (DEM), Simone Tebet (MDB), Sergio Moro (sem partido), Eduardo Leite (PSDB), João Doria (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Guilherme Boulos (Psol-SP).

A presença digital dos possíveis candidatos da terceira via, em comparação com Bolsonaro e Lula, ainda é muito tímida. Somados, todos os nomes cogitados pelo centro, mais Ciro e Boulos, têm apenas 12,2% das menções na rede na última semana.

Bolsonaro teve a maior parte das citações nesse período: 63% das publicações levantadas do grupo se referiram ao presidente. Em segundo lugar está o ex-presidente Lula, com 24,7% das menções. Ciro aparece com 2,4% das publicações em terceiro lugar.

 

Desempenho do Twitter nos últimos cinco dias dos presidenciáveis
Desempenho dos presidenciáveis no Twitter de 19 a 23 de julho

Confira o desempenho de cada um na rede:

Simone Tebet

A senadora Simone Tebet (MS) tende a ser o nome indicado pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), para 2022. O nome da parlamentar venceu resistência da ala mais antiga do partido que defendia a volta de Michel Temer ao poder.

A desistência do ex-presidente para dar lugar à congressista foi selada com um encontro entre as partes e Rossi, em São Paulo. No Senado, Simone presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi a primeira mulher candidata à Presidência da Casa e lutou pela instalação de uma bancada feminina, da qual é líder atualmente.

A atuação de Simone na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 foi o que alavancou seu nome como possível candidata da terceira via. Apesar de não ser membro do colegiado, ela participa do trabalho representando a bancada feminina no Senado e se mostrou perspicaz ao questionar autoridades investigadas e testemunhas de um suposto esquema de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.

Na última semana, a senadora obteve 1,3% das menções no Twitter. Dessas publicações, no entanto, só 39% tiveram cunho positivo enquanto 61% foram negativas. Tebet marcou um grau de confiança, ou seja, percentual de publicações que conotam esse sentimento de 26%. Isso pode pesar contra sua candidatura.

Rodrigo Pacheco

Presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) desponta como nome potencial para a terceira via. O senador mineiro (mas nascido em Porto Velho, Rondônia) ficou conhecido por pregar independência e harmonia entre os Poderes e pelo seu tom “apaziguador” e “conciliador”.

Sem dizer publicamente que será candidato, o parlamentar trabalha nos bastidores para se credenciar como alternativa ao Executivo em 2022. Para isso, estuda deixar o Democratas e filiar-se ao PSD.

O senador ainda aguarda as prévias de candidatura presidencial do PSDB. A definição dos tucanos servirá de parâmetro para que o presidente do Senado meça as reais chances de se apresentar como o candidato de maior potencial da terceira via.

O mineiro é conhecido por seu tom moderado e apaziguador. Pacheco também é um apoiador do governo Bolsonaro e, recentemente, chegou a se indispor com senadores que cobraram uma postura mais intransigente na defesa das prerrogativas parlamentares e contrária às tentativas de intimidação por parte de militares.

Pacheco obteve apenas 0,9% das menções no Twitter ao longo da semana. A confiança em Pacheco apareceu em 27% das mensagens. O presidente do Senado também conta com maior índice de mensagens negativas na rede: 58%. As outras 42% das publicações sobre Pacheco tiveram cunho positivo.

Sergio Moro

O ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro é outro nome que circula como possibilidade para as disputas presidenciais. Diferente dos demais, a candidatura do ex-magistrado à Presidência ainda é tida como improvável, mas não está descartada.

Caso opte pela carreira política, Moro deve filiar-se ao Podemos. O partido é presidido pelo senador Álvaro Dias (PR), que concorreu à Presidência da República em 2018. Se as tratativas avançarem, Dias deve dar espaço ao ex-juiz, cujo nome tem apelo maior atualmente.

Ex-juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba, Moro ficou conhecido por ter condenado Lula à prisão. Sua atuação rendeu um convite de Bolsonaro para que se tornasse ministro da Justiça e Segurança Pública, cargo que exerceu por pouco mais de um ano, até romper com o presidente sob acusações de uso político da Polícia Federal. Recentemente, Moro foi declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar processos relacionados ao petista e teve todas as suas decisões contra Lula nos processos da Lava Jato anuladas.

De acordo com o levantamento da AP, grande parte das menções ao magistrado são negativas: 64%, contra 36% de citações positivas. O grau de confiança em Moro expresso em publicações do Twitter ficou em 27%. O ex-ministro obteve 1,8% das menções na última semana.

Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é apontado como o favorito para vencer as prévias do PSDB para 2022. Para isso, enfrenta forte concorrência do governador de São Paulo, João Doria. Caso as previsões se confirmem, Leite deverá ser o nome tucano para rivalizar com Lula e Bolsonaro. Com a ascensão do militar ao poder, o PSDB enfraqueceu-se e hoje disputa a terceira opção de votos dos eleitores.

Leite ganhou os noticiários e muita repercussão nas redes sociais ao se declarar gay.

A análise das menções de Eduardo Leite o apontam como candidato entre os presidenciáveis com maior volume de menções positivas no Twitter, mesmo que os elogios ainda venham em menor número que as críticas. Das publicações citando o tucano, 48% tiveram caráter positivo e 52%, negativo. Leite também apresentou o maior grau de confiabilidade: 35%. O número de citações do tucano, porém, permanece baixo. Na última semana ele obteve 1,6% das menções.

João Doria

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), elege-se como apoiador de Bolsonaro e encerrará o mandato como um dos maiores desafetos do presidente. Doria e Bolsonaro viraram rivais políticos durante a pandemia da Covid-19.

O tucano discordou sobre a postura do chefe do Executivo no enfrentamento da crise sanitária e comprou briga com ele ao defender a produção, em solo nacional, da vacina chinesa Coronavac.

Até a volta de Lula ao cenário político, Doria era o candidato natural do PSDB à Presidência da República. Depois disso, o tucano avalia disputar a reeleição em São Paulo.

A análise das redes sociais mostra que Doria aparece com 1,1% de menções, 53% de menções negativas e 47% de citações positivas. O grau de confiança no governador ficou em 31%.

Luiz Henrique Mandetta

Ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta despontou como um dos primeiro nomes potenciais para a terceira via, principalmente ao deixar a pasta por discordar da postura do presidente frente a maior crise sanitária da história do país.

Para concorrer à Presidência, Mandetta está disposto a brigar com seu partido, o Democratas. A legenda tem estreitado relações com Bolsonaro e reavalia se lançará candidatura própria ou se deve apoiar outro nome em 2022.

Após a saída do governo, Mandetta experimentou um período de maior notoriedade em defesa da ciência e em contraposição aos negacionistas do governo. Hoje, essa presença no noticiários e nas redes sociais esfriou.

O nome de Mandetta sofre resistência da ala bolsonarista e pena para decolar nas pesquisas eleitorais.

Ele tem sido pouco citado nas redes em comparação com os demais presidenciáveis. Na última semana, obteve 1,3% das menções. Destas, 75% tiveram um caráter negativo e 25% foram positivas. Entre os presidenciáveis monitorados, Mandetta foi o que obteve menor grau de confiança: 21%.

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