Renan sugere que Moro quer foro para se blindar de investigações

Há especulações de que o ex-juiz poderá desistir de disputar o Planalto para concorrer a uma vaga no Senado Federal na eleição deste ano

atualizado 03/01/2022 12:04

renan-calheirosEdilson Rodrigues/Agência Senado

Em meio às especulações de que o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) poderia desistir de disputar à Presidência da República para concorrer a um mandato no Senado, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) sugeriu, nesta segunda-feira (3/1), Moro estava à procura de foro privilegiado para se blindar de investigações contra ele.

Crítico de Moro e da Operação Lava Jato, da qual foi alvo, o senador disse que o ex-ministro da Justiça é um “ex-juiz parcial e incompetente” e “está obcecado por um mandato” para evitar as “investigações sobre o quanto lucrou para golpear a democracia e fraudar uma eleição”. Calheiros finalizou com uma pergunta irônica: “Moro precisa de foro?”

“O ex-juiz parcial e incompetente está obcecado por um mandato. As investigações sobre quanto lucrou para golpear a democracia e fraudar uma eleição abalaram. É uma trajetória de mentiras, tocaias e trapaças. Moro precisa de foro?”, ironizou.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou que a empresa Alvarez & Marsal, para a qual Moro trabalhou, revele quanto pagou ao ex-juiz depois que ele deixou a companhia em outubro do ano passado para entrar na política. Moro repudiou o que considerou insinuações levianas do órgão de fiscalização.

A Alvarez & Marsal é uma consultoria norte-americana especializada em recuperação judicial e tem como clientes Odebrecht e OAS, investigadas pela Lava Jato.

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Dantas afirmou em despacho anterior que atos de Moro contribuíram para a quebra da Odebrecht, e quer saber se a Alvarez & Marsal foi beneficiada por eles ao se envolver na recuperação da empreiteira e de outras organizações investigadas sob o comando de Moro.

Sobre a suposta eleição fraudada citada por Renan Calheiros, trata-se do fato de Moro ter vazado informações sobre da delação do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas da eleição de 2018, o que favoreceu o atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Após eleito, o presidente convidou Moro para ocupar o ministro da Justiça e Segurança Pública, do qual saiu em abril de 2020.

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