Renan sobre o “caguei” de Bolsonaro: “Encontrou o slogan do governo”

Segundo o relator, o presidente foge toda vez que é instado a falar sobre denúncias de corrupção em seu governo

atualizado 09/07/2021 11:08

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Renan Calheiros (MDB-AL), comentou o tratamento dado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), à carta enviada pela cúpula da comissão, pedindo explicação sobre as denúncias de que ele, mesmo sabendo das suspeitas de corrupção na compra de vacinas, não tomou providências para determinar uma investigação.

Na quinta-feira (8/7), Bolsonaro apontou que não responderia à carta com pedidos de informação: “Caguei”, disse o presidente, demonstrando irritação com o questionamento.

Renan, por sua vez, disse que a palavra sintetiza o governo de Bolsonaro. “Eu nunca vi uma palavra só que sintetizasse um governo quanto esta. Aliás, se o governo estava com dificuldades para encontrar um slogan, definitivamente o encontrou”, disse o relator ao chegar, nesta sexta-feira (9/7), à CPI.

Hoje, CPI ouve o consultor técnico cedido ao Ministério da Saúde William Amorim Santana, citado por outros depoentes como um dos envolvidos nas negociações da vacina Covaxin, produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, situação envolta em suspeitas de irregularidades.

Sem esperar resposta

O relator disse ainda que não acredita em uma resposta formal, por escrito, de Bolsonaro porque ele tem se recusado sempre a falar sobre suspeitas de corrupção em seu governo.

“O presidente foge toda vez que é instado a responder sobre as denúncias. Se recusa peremptoriamente a falar sobre as coisas que interessam a investigação e principalmente aos brasileiros. Ele foge. Ele, que parece tão machão ali naquele cercadinho do Alvorada, emudece todas vez que a CPI lhe pergunta as coisas”.

Mais cedo, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também comentou o tratamento dado a Bolsonaro sobre o pedido de explicações e disse que a falta de resposta só gera mais suspeitas.

“As perguntas ao presidente da República são as seguintes: Porque, ao tomar conhecimento de um esquema de corrupção em curso no Ministério da Saúde o senhor não tomou providência? Porque o senhor sequer se solidarizou até agora com o seu líder do Governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros(PP-PR)?

“Essa pergunta não está sendo feita por mim, é também pelos membros da CPI e pelo povo brasileiro. Senhor presidente, responda aos brasileiros”, apelou o senador.

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