Registros do Ministério da Saúde indicam que Cristiano Carvalho se apresentou como CEO da Davati
Empresário, que se diz só representante de vendas da empresa, se reuniu com ex-secretário-executivo da pasta Élcio Franco em 12 de março
atualizado
Compartilhar notícia

Registros da Planilha de Controle de Entrada de Visitantes do Ministério da Saúde indicam que o empresário Cristiano Carvalho (foto em destaque) se apresentou ora como diretor júnior ora como CEO da Davati Medical Supply, o que contraria a versão do executivo dada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.
Cristiano se reuniu com os coronéis Élcio Franco, então secretário-executivo do Ministério da Saúde; Marcelo Bento Pires, então assessor do Ministério da Saúde; e Cleverson Boechat, coordenador-geral da pasta, no dia 12 de março deste ano.
No registro feito na portaria, ainda no térreo da sede do ministério, em Brasília, Cristiano consta como diretor júnior da empresa. Já no 3º andar, o nome do empresário é seguido do termo “CEO da Davati”. As duas planilhas são assinadas por servidores do Ministério da Saúde. A pasta informou, por telefone, que as informações das planilhas são concedidas geralmente pelos próprios visitantes.
As informações foram obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo deputado federal Ivan Valente (PSol-SP) e repassadas ao Metrópoles.
Essa reunião do dia 12 de março entrou na mira da CPI da Covid após o policial militar e vendedor Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da Davati no Brasil, dizer que o então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias teria lhe pedido propina de US$ 1 por dose da vacina contra a Covid, no Brasília Shopping. Dias nega.
hp scan0008 (1) by Tacio Lorran Silva on Scribd
À Comissão Parlamentar de Inquérito, no dia 15 de julho, Cristiano negou ser CEO da Davati e disse ser apenas “um representante de vendas”.
“Foi dito aqui na CPI, de forma um pouco equivocada e um pouco folclórica, que eu seria o CEO da empresa, mas a empresa não tem CEO nem representação formal aqui no Brasil, CNPJ, nada disso. A empresa, simplesmente, através de um amigo, me pediu para eu intermediar a relação aqui com o Ministério da Saúde e com o senhor Dominguetti”, afirmou o empresário.
Ao Metrópoles, Carvalho reforçou jamais ter se apresentado como CEO da Davati e disse que não foi questionado, quando esteve no Ministério da Saúde, sobre a função e a relação dele com a empresa.
“Nosso acesso se deu direto pela área de autoridades, por influência do tenente-coronel Hélcio Bruno [presidente da organização Instituto Força Brasil (IFB)]”, afirmou o empresário.
“Talvez a explicação seja que o cabo Dominguetti, o qual me alçou a esse cargo de CEO, na CPI tenha dito isso para a recepcionista, sem o meu consentimento ou conhecimento”, prosseguiu ele, ao acusar o CEO da Davati, Herman Cardenas, de ser um “estelionatário” e “bandido internacional”.
Procurado, Dominguetti apresentou uma versão conflitante com a de Cristiano. Segundo o policial militar, os visitantes já estavam cadastrados na portaria do Ministério da Saúde e não concederam informações como a de quais cargos exerciam.
“Nós já estávamos cadastrados. Foram solicitados nossos dados antes, para essa agenda, e nós chegamos a… Já estava nossos nomes com as respectivas apresentações. Se não me falha a memória, a única informação que apresentamos foi o nosso nome. Não me lembro de o Cristiano ter falado que era CEO da Davati”, diz o cabo da PM de Minas Gerais.
O policial militar também esclareceu, ao Metrópoles, que essa e outras reuniões na pasta foram “ajeitadas” pela Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) e pelo Instituto Força Brasil.
“Antecedendo a reunião, o dono da Davati [Herman Cardenas] avalizou a nossa ida, a falar em nome da empresa, [dizer] que tinha essas vacinas, que estava ofertando, que era uma oferta legítima”, complementou o policial.
O Metrópoles tentou, sem sucesso, contato com o presidente da Senah, reverendo Amilton Gomes de Paula. O espaço segue aberto caso queira se manifestar. Por sua vez, a Davati acusa Dominguetti, Amilton e Cristiano de produzirem documentos falsos em nome da empresa.












