Davati vende ilegalmente vacina contra gripe nos Estados Unidos

Sem autorização para comercializar imunizante indiano contra Influenza nos EUA, empresa foi notificada por agência reguladora

atualizado 15/07/2021 18:00

FOTO ILUSTRATIVA

A norte-americana Davati Medical Supply vende vacina contra gripe sem autorização da Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos. Em seu site, a empresa anuncia a comercialização do imunizante Fluzalp™, que seria indicado contra quatro tipos de vírus da gripe. No entanto, em 25 de junho deste ano, a diretora do Centro de Avaliação e Pesquisa Biológica da FDA, Mary A. Malarkey, notificou a Davati por e-mail sobre violações sanitárias que a empresa estaria cometendo.

Segundo a FDA, o Fluzalp é um novo medicamento e não foi aprovado pelo órgão. A vacina é fabricada pela farmacêutica indiana Anzalp Pharmasolutions. A Davati descreve em seu site que o fármaco é produzido a partir da tecnologia de “DNA recombinante”. Inclusive, diz que o produto foi testado pela FDA. Mas a agência regulatória nega que tenha feito esses testes.

A Davati anuncia que a vacina foi aprovada para uso em pessoas a partir de 4 anos. A FDA, contudo, afirma que a empresa apresenta o produto de forma enganosa, como se o imunizante fosse seguro e eficaz para a prevenção do vírus da gripe.

Em entrevista publicada nessa quinta-feira (15/7) pelo jornal Folha de S.Paulo, o dono da Davati Medical, Herman Cardenas, diz que os principais produtos distribuídos pela empresa “são vacinas da gripe influenza H1N1 e febre amarela, além de mais de 100 medicamentos genéricos”.

A agência regulatória dos EUA exigiu que a Davati revisasse site, rótulos de produtos, além de outros materiais promocionais que apresentam a vacina como segura e eficaz contra a gripe. Em 25 de junho, a FDA deu 48 horas para que a empresa enviasse um e-mail descrevendo de que maneira resolveria as violações apontadas.

Passados 20 dias, o site da Davati permanece com as mesmas informações refutadas pelo órgão de vigilância sanitária. De acordo com a FDA, as violações cometidas pela empresa podem resultar em ações judiciais, incluindo apreensões.

O representante comercial da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, prestou depoimento nesta quinta-feira na CPI da Covid. A empresa se tornou pivô de um suposto escândalo de corrupção envolvendo o governo Bolsonaro, depois da publicação de uma reportagem da Folha de S.Paulo.

Em entrevista ao jornal, o policial Luiz Paulo Dominguetti Pereira disse que recebeu pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina contra a Covid-19 para fechar contrato com o Ministério da Saúde. O PM afirma ser representante da Davati. Segundo ele, a negociação de 400 milhões de doses da AstraZeneca estava sendo feita com o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, que teria oferecido a propina. Dias foi exonerado depois que o caso veio à tona.

A Davati é suspeita de fraudar uma negociação para compra de vacina contra a Covid-19 no Canadá. A empresa teria tentando revender doses do imunizante para grupos indígenas do país sem ter autorização da farmacêutica AstraZeneca. Autoridades canadenses investigam o caso.

Outro lado

O Metrópoles procurou a Davati Medical Supply para que se manifeste sobre a publicação desta reportagem, mas não houve resposta até a última atualização. O espaço segue aberto.

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