Reforma política segue sem acordo e atrasa início da sessão na Câmara
A votação da proposta que cria o "distritão" e um fundo eleitoral público já foi adiada duas vezes na Casa

A sessão da Câmara dos Deputados que tentaria votar a partir das 9h desta quarta-feira (23/8) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/2003 deve ficar para o período esta tarde. Ainda não há horário definido, porque os líderes partidários permanecem em busca de um acordo em torno dos temas. A proposta altera o sistema eleitoral para um modelo do “distritão” no ano que vem e cria um fundo público estimado em R$ 3,6 bilhões para custear campanhas.
Os parlamentares calculam que não possuem votos suficientes para aprovar o texto base da PEC por inteiro e, por isso, buscam uma maneira de apreciá-lo em separado para evitar que seja rejeitado por completo, o que derrubaria logo na primeira votação o fundo eleitoral. A oposição não aceita fatiar a votação.
O principal entrave está em partidos do Centrão, que sofrem forte influência dos respectivos caciques, contrários às mudanças do “distritão” ou mesmo às sugestões de adaptar o sistema majoritário. Eles entendem que o modelo retira poder das legendas.Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO PR, por exemplo, que tem uma bancada com 38 deputados orientados pelo dirigente Valdemar Costa Neto (SP), condenado no mensalão, é considerado fundamental, mas está irredutível contra o “distritão”. “Não vão nos convencer. Somos contra o ‘distritão’ e não nos importamos com o fundo”, disse o líder da bancada, José Rocha (BA).
Outras duas comissões especiais que também analisam mudanças nas regras eleitorais vão começar apenas à tarde. A da PEC 282/16, que propõe fim das coligações partidárias em eleições proporcionais e estabelece uma cláusula de barreira para acesso a recursos do Fundo Partidário e ao horário eleitoral, foi transferida para as 15h.
Caso se conclua a votação do parecer da relatora, deputada Shéridan (PSDB-RR), ela pode ser levada de imediato ao plenário e passar à frente da PEC 77.
A comissão que analisa mudanças em regras de partidos e eleições, dando, por exemplo, 90% de desconto em multas dos partidos, conforme relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP), deve começar às 14h.



