Racha no PSB pode desfalcar apoio do partido a bloco de Maia na Câmara

Metade da bancada pediu nova reunião para definir se lança candidatura própria. O líder, Alessandro Molon, defende aliança com o DEM

atualizado

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Julio Delgado x Alessandro Molon
1 de 1 Julio Delgado x Alessandro Molon - Foto: Arte/Metrópoles

Com uma bancada de 31 deputados, o PSB está dividido na corrida pela residência da Câmara. Metade do partido, sob a influência do líder da bancada, Alessandro Molon (RJ), definiu apoio ao bloco reunido pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em contraposição ao candidato bolsonarista e líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL).

A outra parte da bancada ainda pretende dar uma nova definição para a legenda e tenta convencer o presidente da sigla, Carlos Siqueira, a realizar uma reunião para, se possível, lançar uma candidatura própria.

Na avaliação dos deputados mais próximos a Maia, entretanto, essa seria uma forma de beneficiar indiretamente Lira, já que diluiria os votos do campo da esquerda na Câmara.

Nesta sexta-feira (18/12), 15 parlamentares do partido enviaram uma carta ao presidente da legenda, Carlos Siqueira, para tentar apostar em um nome na disputa.

Um dos nomes possíveis seria o do deputado Julio Delgado, que já participou da disputa em 2015, eleição vencida pelo emedebista Eduardo Cunha. Delgado é sempre um nome à disposição do partido para a disputa.

“Laranja do Maia”

“Molon se apequenou, não ouviu metade da bancada, dois prefeitos de capitais eleitos. Queremos uma reunião na bancada para discutir isso. Queremos uma candidatura da esquerda para valer, e não laranja do Maia”, protestou o deputado.

“Ele coloca sua assinatura, mas não tem a nossa. Não assino cheque em branco pra ninguém. Isso pode ter um efeito pior. Levar a fórceps para o bloco, não levará os votos”, disse Delgado, logo após o anúncio feito pelo líder de que o PSB integraria a chamada União da Democracia e da Liberdade, anunciada em apoio a Maia, com a presença dos líderes do DEM, PT, PSL, PSB, PSDB, CIDADANIA, PDT, REDE, PCdoB, PV e MDB.

O pedido de nova reunião da bancada é assinado pelos prefeitos recém-eleitos do partido, de Recife, João Campos (PE), e de Maceió, João Henrique Caldas (AL). Embora estejam com o prestígio interno de terem vencido as eleições, os dois não votarão na eleição para a sucessão de Maia, visto que assumirão seus cargos nos executivos municipais no dia 1º de janeiro.

Além deles, assinam o pedido os deputados Luciano Ducci (PR), Gonzaga Patriota (PE), Cássio Andrade (PA), Emidinho Madeira (MG), Ricardo Silva (SP), Rosana Vale (SP), Heitor Schuch (RS), Rafael Mota (RN), Felipe Carreiras (PE), Rodrigo Coelho (SC), Danilo Cabrasl (PE) e Liziane Bayer (RS), além de Delgado.

“Como, em nome do líder da nossa bancada, assinamos um um bloco sem uma reunião e deliberação da bancada? Não me sinto contemplado”, escreveu um dos deputados do partido que apoia a reunião.

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Deputado Júlio Delgado (PSB-MG)
Deputado Júlio Delgado (PSB-MG)
Rodrigo Maia (sem partido-RJ)
Rodrigo Maia
"Qualquer decisão agora leva a recursos ao plenário e nós vamos ficar discutindo impeachment sem nenhuma motivação para isso. É por isso que eu não decido", observou Maia
Líder do PSB, Alessandro Molon
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Rodrigo Maia (sem partido-RJ)
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Rodrigo Maia
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"Qualquer decisão agora leva a recursos ao plenário e nós vamos ficar discutindo impeachment sem nenhuma motivação para isso. É por isso que eu não decido", observou Maia
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"Qualquer decisão agora leva a recursos ao plenário e nós vamos ficar discutindo impeachment sem nenhuma motivação para isso. É por isso que eu não decido", observou Maia

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Coletiva do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, no Salão Negro
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Coletiva do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, no Salão Negro

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De acordo com a carta, a qual o Metrópoles teve acesso, não há concordância com nenhuma das candidaturas postas até o momento, inclusive com a decisão de integrar 

“Mais uma vez, entendemos que é preciso apresentar um projeto político claro e indiscutível de oposição. As alternativas postas até o momento no tabuleiro não representam os valores do PSB. O DNA das forças conservadoras e vinculadas ao Governo Bolsonaro está presente nas candidaturas apresentadas até o momento, seja nas já definidas como também nas outras que ainda sequer foram anunciadas do campo conservador. Pelo exposto, solicitamos a realização imediata de reunião da bancada do PSB, para deliberamos sobre documento programático que deve orientar a posição política do PSB , bem como decidir sobre a possibilidade de lançamento de candidatura própria do PSB a Presidência da Mesa da Câmara dos Deputados ou o apoio à candidatos de partidos, exclusivamente, de oposição ao Governo Bolsonaro”, destaca a carta.

No caso da ala mais ligada ao Maia, em conjunto com outros partidos do campo da esquerda, espera que haja um acordo em torno de um dos nomes já indicados pelo atual presidente: O emedebista Baleia Rossi, que já tem apoio fechado dos tucanos, ou mesmo Agnaldo Ribeiro (PP-PB).

O deputado Cássio Andrade (PSB-PA) também reclamou da postura do líder. “Fomos pegos de surpresa com esta decisão. Sei que estou refletindo o pensamento de mais da metade da bancada do nosso partido. Não houve reunião da bancada, não houve deliberação em conjunto, nosso líder não respondeu aos questionamentos que eu havia apresentado.

Leia a íntegra da carta:

Carta Ao Presidente Nacional e Líder PSB by Metropoles on Scribd

Há uma semana, o Diretório Nacional do PSB divulgou uma resolução em que “recomenda” aos deputados federais da sigla que nem examinem a hipótese de apoiar a candidatura de Lira. Os membros do Diretório Nacional do PSB, dizem, na resolução, que a recomendação se deve à necessidade de “fixar com muita clareza a postura oposicionista” do partido. O texto também indica que os deputados não devem apoiar qualquer outra candidatura apoiada pelo Palácio do Planalto. Dias antes, ao menos 18 dos 31 deputados havia sinalizado apoio a Lira ao comando da Câmara.

 

 

 

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