Queiroga culpa imprensa por medo da AstraZeneca: mais desinforma

DF, RS, RJ, AM e ES são unidades federativas onde se constatou resistência ao imunizante. Estudos garantem segurança e eficácia da vacina

atualizado 26/04/2021 16:53

Coletiva de imprensa do comitê de combate a covid no plácio do planalto ministro marcelo queirogaRafaela Felicciano/Metrópoles

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, atribuiu à imprensa a culpa da resistência, por parte da população, em tomar a vacina da AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. Essa fórmula é um dos imunizantes adotados no combate à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Em uma audiência pública no Senado nesta segunda-feira (26/4), o titular da pasta federal da Saúde disse que a imprensa “mais desinforma do que informa” – e, por isso, as pessoas têm rejeitado o imunizante.

“A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) avalia a segurança e a eficácia das vacinas. Só para ilustrar, a AstraZeneca, que é uma vacina com registro definitivo da Anvisa: por conta de todas essas questões suscitadas na imprensa, que mais desinforma que informa, as pessoas não querem tomar a vacina da AstraZeneca. Muitos estão rejeitando”, disse o ministro na Comissão Temporária da Covid-19.

“Por isso, as informações têm que ser uniformes”, disse Queiroga, aos senadores.

“Se a vacina for autorizada pela Anvisa, nós vamos colocá-la no calendário e, por óbvio, a vacinação vai caminhar mais célere”, enfatizou Queiroga.

A resistência tem sido notada por autoridades sanitárias, conforme mostrado pelo Metrópoles.

Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas e Espírito Santo são os estados onde foi constatada a recusa ao imunizante.

Na última semana, o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, afirmou que o Governo do Distrito Federal (GDF) também havia verificado essa resistência em relação ao imunizante. A declaração foi ancorada na baixa procura do público a partir de 64 anos, que já pode receber a dose.

Eficácia

Estudos científicos garantem a segurança e a eficácia da fórmula desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca.

As doses da AstraZeneca representam 18% da imunização no país, com mais de 6 milhões de unidades aplicadas.

Em Canoas, cidade gaúcha a 20 km de Porto Alegre, e que dispõe do maior número de vacinas da AstraZeneca, verificou-se um aumento de pessoas que se negam a receber o imunizante.

A justificativa mais comum, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é o receio de eventos adversos. Também há dúvidas sobre o intervalo mais longo entre as doses, de três meses, em comparação com o da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, que é de 28 dias.

“Nas duas remessas mais recentes, o município recebeu para as primeiras doses apenas a AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz. Mesmo oferecendo alto nível de proteção contra a Covid-19, a desconfiança de parte da população se deve às notícias envolvendo o imunizante, que chegou a ter sua aplicação suspensa temporariamente em alguns países”, explica a pasta em comunicado.

Em raríssimos casos, houve registros de problemas vasculares após a aplicação da AstraZeneca. Os efeitos colaterais não são comuns, tampouco existe qualquer orientação sobre a interrupção do uso da vacina no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reforçado a segurança do imunizante.

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul informou que as doses são disponibilizadas de acordo com as remessas enviadas pelo Ministério da Saúde e, por isso, não há como a população escolher qual vacina receberá.

2ª dose

No Amazonas, a Fundação de Vigilância em Saúde constatou esse tipo de comportamento em pessoas que já foram imunizadas e precisam receber a segunda dose da vacina.

“Quem tomou a primeira dose de AstraZeneca deve buscar a segunda dose do imunizante nos postos de vacinação. Caso haja desistência, as prefeituras municipais que executam as campanhas de vacinação devem fazer a busca ativa dos faltosos”, explica a fundação, em nota.

Equipes de saúde vão até a residência do público apto a receber a segunda dose, a fim de explicar a importância de se tomar o reforço do imunizante para fechar o esquema vacinal. Frisam que, só assim, haverá eficácia da vacina contra a Covid-19. “De forma geral, a resistência em tomar a segunda dose do imunizante é resolvida nessa fase de sensibilização da população”, ressalta o texto.

O mesmo ocorre no Espírito Santo. As autoridades do estado têm orientado no sentido de as prefeituras registrarem os casos. “Temos percebido predileção esporádica pela vacina Coronavac, principalmente por parte dos idosos”, confirma o governo capixaba, em nota.

Informações

Na capital fluminense, os postos de imunização apostam na informação para quebrar a resistência. As equipes de saúde explicam o funcionamento e a segurança aos usuários. “As pessoas podem tomar com tranquilidade a que estiver disponível no momento em que for se vacinar”, alerta a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

“As duas vacinas disponíveis no Brasil, a Coronavac e a Oxford/AstraZeneca, protegem contra os efeitos do coronavírus no organismo e ambas são seguras para a população”, frisa a pasta.

Versão oficial

Em março, a Anvisa emitiu nota técnica informando que o lote da vacina AstraZeneca suspenso na Europa não é o utilizado no Brasil. Além disso, a agência reguladora manteve a recomendação para que o referido imunizante continue sendo utilizado.

Eventuais efeitos colaterais adversos podem ocorrer com qualquer medicamento e são investigados pelas autoridades sanitárias. Até o momento, não há comprovação de casos graves que indiquem a contraindicação de qualquer uma das vacinas.

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