PT espera melhor momento para troca da candidatura de Lula por Haddad

Por enquanto, líder petista preso em Curitiba transfere apenas 40% dos seus votos para ex-prefeito de São Paulo

atualizado 13/08/2018 12:36

SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Reforçar a imagem de um ex-presidente injustiçado, preso político, condenado sem provas, líder nas pesquisas impedido de disputar a eleição de 2018 por força do “golpe”. Além de emplacar o grande mote da campanha petista de 2018, o partido tem outro grande desafio: identificar o momento mais propício para trocar o cabeça de chapa que será registrado na próxima quarta-feira (15/8).

Dificilmente, a Justiça aprovará a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista está preso há quatro meses na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, condenado em 2ª instância no processo que trata da propriedade do apartamento triplex, localizado no Guarujá, litoral de São Paulo.

Diante disso, coordenadores da campanha petista estão atentos a pesquisas qualitativas internas encomendadas ou realizadas por consultorias financeiras sobre os cenários possíveis para a eleição de 2018.

De acordo com coordenadores da campanha de Lula, pesquisas internas apontam que o poder do Lula de transferir votos é muito grande quando não se indica o nome do candidato de fato. Este percentual, de acordo com dirigentes do partido, varia de 70% a 90%, dependendo das região do país.

Quando se pergunta se o eleitor votaria em determinado candidato se Lula o indicasse o percentual cai muito. Fica em torno de 40%. Este foi a percentagem obtida quando o partido testou o nome do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que assumiu a vaga de vice na chapa, mas que, no momento propício, substituirá Lula.

Esta queda justifica a decisão do partido de não anunciar o cabeça de chapa definitivo nesta fase da corrida eleitoral. O momento certo para a campanha será quando Haddad se tornar mais conhecido fora dos limites de São Paulo, principalmente no Nordeste, e quando a “injustiça” em relação a Lula tiver produzido efeito de indignação suficiente para aumentar seu poder de transferir votos ao candidato de fato.

Apesar da enorme queda do poder de Lula ao transferir votos quando o nome do substituto é citado,  petistas avaliam que conseguiriam, nesta fase da corrida eleitoral, colocar o candidato no segundo turno das eleições. Um dos dirigentes apontou que a grande dúvida agora é em relação ao candidato concorrente: o tucano Geraldo Alckmin ou o candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

Efeito
O percentual de 40% de transferência para Haddad identificado pelo PT produz efeito semelhante ao que se observou na última pesquisa XP/Isesp, realizada logo após o anúncio de inserção do ex-prefeito na chapa. A consulta o apontou no segundo turno, mas em segundo lugar, perdendo para Bolsonaro.

A pesquisa, divulgada na semana passada, apontou que, quando o nome de Haddad aparecia como candidato, apoiado pelo ex-presidente Lula, alcançava 13%.

Bolsonaro registrou 21%. Marina Silva (Rede) apareceu com 10% e Geraldo Alckmin (9%), Ciro Gomes (7%), Alvaro Dias (5%) e Henrique Meirelles (2%). Sem ser apresentado como o candidato de Lula, Haddad obteve 3%.

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