Procurador sobre denúncia de Marinho: “Ficou claro que temos de investigar”

Eduardo Benones colheu novo depoimento do empresário Paulo Marinho, que acusou clã Bolsonaro de obter informações privilegiadas da PF

atualizado

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O procurador Eduardo Benones, responsável pela investigação do suposto vazamento de informação sigilosa da Polícia Federal (PF) para o clã Bolsonaro, afirmou que os elementos apresentados pelo empresário Paulo Marinho em depoimento justificam que a apuração siga em andamento.

“A gente tem razões para crer que os fatos merecem ser investigados, a gente vai aprofundar. Ficou mais claro que tem que ser investigado”, afirmou ele em entrevista coletiva nesta quinta-feira (21/05) após depoimento de Marinho, que é suplente de Flávio no Senado.

O investigador, porém, não adiantou se as investigações envolverão oitivas de outros envolvidos, como o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que teriam tido acesso às informações sigilosas. Segundo ele, uma eventual oitiva dos dois dependerá de análise dos elementos apresentados até agora por Marinho.

“A gente vai decidir quais passos tomar em relação à elucidação dos fatos”, declarou.

O MPF ouviu Marinho pela segunda vez nesta semana depois de ele prestar depoimento a procuradores e delegados da Polícia Federal na superintendência fluminense da corporação. Segundo ele, o intuito foi “complementar” a oitiva anterior. “Existe uma investigação independente do MPF, a gente queria focar bastante nas informações relativas ao vazamento e foi o que fazemos.”

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Alan Santos/PR

Acusações
No último domingo (17/05), Marinho, ex-aliado bolsonarista, acusou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Flávio, filho dele, de receberem informações privilegiadas sobre investigação de esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Após as declarações, o MPF instaurou inquérito para apurar o caso – e a PF, por sua vez, investiga novamente o suposto vazamento na chamada Operação Furna da Onça.

De acordo com Marinho, um delegado da PF teria informado os Bolsonaro sobre a operação; aconselhado que eles demitissem o ex-assessor de Flávio Fabrício Queiroz, apontado como possível operador do esquema no gabinete do então deputado estadual; e contado a eles que a deflagração ficaria para depois das eleições de 2018, para não prejudicar o atual presidente no pleito.

A operação foi deflagrada em novembro daquele ano, sem que Flavio estivesse entre os alvos. Contudo, relatórios do antigo Conselho do Controle de Atividades Financeiras (Coaf), hoje, Unidade de Inteligência Financeira, já apontavam movimentações suspeitas de Queiroz.

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