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Política

Presidente da Anafe cobra de Maia diálogo sobre reforma administrativa

Marcelino Rodrigues afirma que um possível viés fiscal da proposta poderia enfraquecer instrumentos de fiscalização e de combate à corrupção

17/08/2020 20:35
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Reprodução
Marcelino Rodrigues, presidente da Anafe

O presidente da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe), Marcelino Rodrigues, criticou, nesta segunda-feira (17/8), a “falta de debate” do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em relação à reforma administrativa. Rodrigues afirmou que um possível “viés fiscal” da proposta poderia enfraquecer instrumentos de combate à corrupção.

“Ficamos preocupados, porque uma reforma administrativa não deve servir como ajuste fiscal. Vamos acabar tendo mais prejuízos e até as atividades que estão sendo hoje bem realizadas vão ser prejudicadas”, ressaltou Rodrigues.

“Como por exemplo, a Lava Jato, que é feita por servidores, a investigação, a fiscalização no caso da Advocacia Geral da União, a AGU. Tudo isso fica prejudicado se partirmos só por um viés de corte e de redução, sem uma aferição mais qualitativa”, reforçou.

Afirmando que não há qualquer aceno de Maia ou do governo Bolsonaro, o presidente da Anafe cobra a participação dos servidores no debate, uma vez que, ele raciocina, a medida afetará diretamente a categoria. Rodrigues destacou que há margem para uma reforma com viés de aperfeiçoamento, como racionalização de custos, implementação do teletrabalho, do home office e de mobilidade de servidores.

Ataque aos servidores

“Estamos no meio de uma pandemia de Covid-19, na qual médicos e policiais estão atuando mais do que nunca e, a depender da proposta que vier, pode ser um sinal de ataque (aos servidores)”, destacou Rodrigues.

Na Câmara dos Deputados, Maia vem pressionando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que envie ao Congresso Nacional a proposta de reforma administrativa.

Nesta segunda-feira, o parlamentar afirmou que a reforma não vai perseguir servidores. Com receio de perder apoio da categoria, Bolsonaro tem segurado a proposta na gaveta há mais de um ano.

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