PF faz operação contra Precisa Medicamentos, alvo da CPI da Covid

Mandados de busca e apreensão são cumpridos em Barueri e Itapevi. Operação foi autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli

atualizado 17/09/2021 9:31

Depoente, Francisco Maximiano, sócio-proprietário da Precisa Medicamentos na CPI da Pandemia no Senado FederalRafaela Felicciano/Metrópoles

A Polícia Federal (PF) realiza, na manhã desta sexta-feira (17/9), operação de busca e apreensão na sede da Precisa Medicamentos, empresa investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.

Os mandados são cumpridos em Barueri e em Itapevi, no estado de São Paulo.

A operação apura informações sobre o contrato entre a Precisa e a empresa indiana Bharat Biotech, assim como todos os documentos relacionados ao acordo.

“A CPI buscou, de todas as formas, a obtenção dessas informações junto à empresa e ao Ministério da Saúde, não obtendo êxito. Devido a isso, fez-se necessária a utilização deste instrumento judicial”, informou a cúpula da comissão, em nota.

A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Entenda

A Precisa intermediou a venda da vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech, ao governo brasileiro. O Ministério da Saúde pretendia comprar 20 milhões de doses do imunizante contra a Covid-19, por meio de um contrato de R$ 1,6 bilhão, sob suspeita de superfaturamento.

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou irregularidades em documentos apresentados pela farmacêutica.

A pasta federal decidiu, então, cancelar o contrato, em julho deste ano, após os escândalos virem à tona.

Outro lado

Em nota, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que fazem a defesa da Precisa Medicamentos, compararam as ações da CPI da Covid-19 ao modus operandi da Lava Jato: “Agressivas e midiáticas”. Veja a íntegra do comunicado:

“É inadmissível, num estado que se diz democrático de direito, uma operação como essa de hoje. A empresa entregou todos os documentos à CPI, além de três representantes da empresa terem prestado depoimento à comissão. Francisco Maximiano, por exemplo, prestou depoimento e respondeu a quase 100 perguntas, enviou vídeo com esclarecimentos, termo por escrito registrado em cartório, além de ter sido dispensado de depor por duas vezes pela própria CPI, em 1° de julho e 14 de julho.

Além disso, seus representantes, sempre que intimados, prestaram depoimentos à PF, CGU, além de ter entregue toda documentação ao MPF e TCU.

Portanto, a operação de hoje é a prova mais clara dos abusos que a CPI vem cometendo, ao quebrar sigilo de testemunhas, ameaçar com prisões arbitrárias quem não responder as perguntas conforme os interesses de alguns senadores com ambições eleitorais e, agora, até ocupa o Judiciário com questões claramente políticas para provocar operações espalhafatosas e desnecessárias. A CPI, assim, repete o modus operandi da Lava Jato, com ações agressivas e midiáticas, e essa busca e apreensão deixará claro que a Precisa Medicamentos jamais ocultou qualquer documento”.

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