Parecer pede que “deputado da tatuagem” vire réu no Conselho de Ética
Relatório de Laerte Bessa (PR-DF) foi pela admissibilidade do processo contra Wladimir Costa (SD-PA). Parlamentar é acusado de assédio
atualizado
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A representação protocolada pelo PSB no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra Wladimir Costa (SD-PA), o “deputado da tatuagem”, pelo assédio a uma jornalista recebeu parecer favorável do relator, Laerte Bessa (PR-DF). Em reunião do colegiado nesta terça-feira (7/11), Bessa leu voto afirmando a admissibilidade do processo. O relatório, contudo, só deverá ser apreciado daqui a duas semanas devido a um pedido de vista apresentado por Mauro Lopes (PMDB-MG).
Wladimir Costa ganhou visibilidade após aparecer em um evento sem camisa com uma tatuagem escrito “Temer”. O fato ocorreu às vésperas da apreciação na Câmara da primeira denúncia formulada contra o peemedebista pela Procuradoria-Geral da República. Ao ser questionado por jornalistas sobre a “homenagem”, Costa afirmou que o desenho era definitivo. Dias depois, contudo, mudou a versão e contou que a imagem era temporária e havia sido feita com henna.
O deputado é acusado de ter assediado a repórter Basília Rodrigues, da rede CBN. Em agosto, durante um jantar entre parlamentares, a jornalista pediu ao deputado que mostrasse a tatuagem com o nome “Temer”. Como resposta, escutou: “Pra você, só se for o corpo inteiro”. Na época, Basília compartilhou um relato nas redes sociais: “Havia outros deputados, jornalistas e até câmeras de TV focados nele. Mas nada disso ‘evitou’ uma gracinha ou uma ‘desgracinha’ machista. Parlamentares constrangidos vieram me pedir desculpas pelo comportamento do nobre colega”.

Outro lado
Wladimir Costa afirmou estar “tranquilo” em relação ao processo. “Se é para provar, para trazer testemunhas, para apresentar o contraditório, perfeito, porque eu sei que vou ser absolvido aqui”, comentou. O parlamentar, que não contratou advogado para o trâmite da representação, alfinetou o autor do documento, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), a quem chamou de “desafeto pessoal”. Segundo Costa, o episódio da tatuagem provisória lhe rendeu “animosidades” no meio político.
Uma segunda representação contra o deputado no Conselho de Ética também teve o seu parecer emitido. Em documento enviado pelo PT, o parlamentar é acusado de ter compartilhado fotos da filha da deputada Maria do Rosário (PT-RS) em um grupo de WhatsApp, comparando-a com os filhos de Jair Bolsonaro (PSC-RJ). O voto do relator João Marcelo Souza (PMDB-MA) foi, contudo, pelo arquivamento do processo. Segundo Souza, foi comprovado que o número de telefone informado na acusação não pertencia a Wladimir Costa.
