Para Joice, apenas Previdência salva o PIB: “Milagres não acontecem”
A queda de 0.2% do PIB no primeiro trimestre seria consequência de a reforma ainda não ter sido aprovada
atualizado
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A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmou, nesta quinta-feira (30/05/19), que é “absolutamente compreensível” a queda do PIB no Brasil, registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ela, os resultados refletem o fato de que a reforma da Previdência ainda não foi aprovada, o que, na sua avaliação, tem poder para reverter a situação econômica do país.
“Milagres não acontecem, ninguém tem uma vara de condão aqui. Presidente não tem vara de condão, o ministro da Economia não tem vara de condão, eu não tenho vara de condão. A gente não sai fazendo milagre. A gente precisa fazer a economia andar com um grande primeiro passo. E o grande primeiro passo é esse, a aprovação da Previdência. Só assim os investimentos vai chegar no país, só assim vamos ter geração de emprego. Senão, é chover no molhado”, afirmou. O depoimento foi dado após café da manhã com a bancada feminina do Congresso, no palácio do Planalto.
Nesta quarta-feira (29/05/19), o IBGE divulgou pesquisa mostrando que o PIB teve queda de 0,2% no primeiro trimestre e o Brasil teve a primeira retração desde 2016. Segundo Joice, o governo deu um primeiro passo com a aprovação da Medida Provisória (MP) 871, que combate fraudes no INSS. “Já é o primeiro passo que nos garante uma musculatura para avançarmos em relação a nova Previdência”, disse.
A deputada informou que, após a votação da MP, ela conversou com o relator da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), e que essa foi uma “virada de chave do PIB”. Ela informou que terá ainda nesta quinta-feira uma conversa com os líderes do Senado Federal para articular a aprovação do texto pela casa.
Além disso, Joice contou que já está contando os votos do plenário sobre o texto, e que o gabinete de inteligência da Previdência tem ocupado o tempo com o relacionamento entre os parlamentares.
Além disso, ela disse que o governo está sendo cuidadoso para não errar com as medidas e reformas em discussão. “Agora que a gente está reconstruindo, fazendo esse pacto pelo país, agora é a hora de não errar. É só isso, é só não errar na condução, no discurso. Nós sabemos que a gente vai conseguir reconstruir. O muro que foi derrubado, a gente levanta”, afirmou.
Medidas Provisórias
Na oportunidade, a deputada comentou outras medidas provisórias que estão em trâmite no Congresso Nacional. Sobre a confusão instaurada no plenário do Senado Federal, nesta quarta-feira (30/05/19), com a votação da MP 867, que trata do Código Florestal, ela afirmou que, provavelmente, o governo deve reeditar a MP para evitar desgaste entre os parlamentares. “Tem salvação, nem tudo está perdido”, afirmou.
“Houve reclamações na Câmara e no Senado queria discutir mais. Paciência. Como a gente acabou patinando nos prazos da medida 870, a gente perdeu o tempo de discutir com mais profundidade nas duas casas, por isso a 866 caiu e agora a 867”, pontuou. Ela contou que a prioridade do governo era a aprovação das medidas 870 e 871 e que o resto “se resolve de alguma forma”.
Café da manhã
A deputada conversou com os jornalistas após café da manhã com a bancada feminina, no palácio do Planalto, com o presidente. Cerca de 80 parlamentares mulheres participaram do evento, que foi fechado à imprensa.
Joice contou que o presidente disse, no encontro, que esse não era um café com “mulherzinhas”. “Não é pauta de mulherzinhas, era pauta de mulheres livres, guerreiras, aguerridas que querem de fato lutar por um país melhor, lutar contra a violência contra a mulher e contra a pedofilia”, disse.
Segundo Joice, Bolsonaro convidou o presidente do Supremo Tribunal Federal (SFT), Dias Toffoli, para apresentar a demanda das mulheres no Judiciário. Ela disse ainda que o ministro a ligou perguntando se deveria participar do café, e teve sua presença aprovada pela líder. “É mais uma demonstração que os poderes estão unidos pelo país”, afirmou.
No encontro, Toffoli apresentou dados que falam da pouca participação da mulher em cargos de primeiro escalão do judiciário e lembrou da decisão tomada pelo STF, nesta quarta-feira, que proíbe gestantes e lactantes de trabalharem em condições insalubres.
Joice disse também que não foram tratadas pautas específicas, como o aborto, mas sim, temas gerais de interesse das mulheres, como uma proposta de reforma na lei de adoção, apresentada por uma das deputadas, que incentiva a adoção de crianças maiores de 5 anos e portadoras de doenças raras.
