Omar Aziz diz que Ernesto Araújo mente à CPI e o repreende

Fala ocorreu quando o ex-chanceler negou ter tido atritos com a China durante a sua gestão nas Relações Exteriores

atualizado 18/05/2021 15:25

Ernesto Araujo e Omar Aziz na CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo “faltou com a verdade” em respostas ao colegiado sobre atritos com a China durante seu depoimento, nesta terça-feira (18/5).

Omar interrompeu os questionamentos que eram feitos ao ex-chanceler pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ernesto negou que as manifestações e falas sobre o governo chinês fossem ofensivas e tenham provocado impasses na boa relação entre Brasil e o país asiático.

Nesse momento, o presidente disse ao ex-chanceler: “Quero alertá-lo que o senhor está sob juramento de falar a verdade. Vossa excelência está faltando com a verdade. Peço que não faça isso”.

Segundo Omar, o ex-ministro “teve vários desentendimentos” com a China. “Esse artigo que vossa excelência chama de ‘comunavírus’ e há pouco disse para o relator que não teve nenhum desentendimento, nenhuma declaração. O senhor teve vários desentendimentos”, afirmou, referindo-se ao artigo escrito por Ernesto em blog pessoal e intitulado “Comunavírus”, em que insinua um plano comunista mundial.

Ernesto, então, voltou a negar os desentendimentos. “Artigo não é absolutamente contra a China, leitura deixa isso claro, China é mencionada lateralmente em um ponto do artigo. Não é sobre a China, não vejo nada que tenha sido ofensivo à China. Comunavírus não é designação ofensiva ao coronavírus é uma designação ao que o autor chama de vírus ideológico”, explicou.

O presidente da CPI rebateu a fala do ex-ministro: “Não faça isso, como não é ofensivo?”. E ironizou Ernesto. “Uma das maiores injustiças que o presidente Bolsonaro fez, então, foi pedir a sua carta de demissão. Vossa excelência é uma pessoa que realmente não teve atrito”, disse.

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“Eu acho que esse assunto já tá encerrado. Não dá para permitir que nossos ouvidos aqui passem em branco. Os governos vão passar, mas a nossa relação amigável com a China não. Faço um apelo para que a China não puna o povo brasileiro, que não tem responsabilidade sobre isso”, completou Omar.

Ao relator, Araújo afirmou que jamais promoveu atrito com a China, “seja antes ou durante a pandemia”.

“De modo que os resultados que nós obtivemos na concepção de vacinas e em outros aspectos decorrem de uma política externa que não era de alinhamento automático com os Estados Unidos, multilateral ou de enfrentamento com a China”, explicou.

Ernesto Araújo, no entanto, já esteve envolvido em uma crise diplomática com o governo chinês após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub. O ex-chanceler chegou a emitir notas oficiais com críticas ao embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming.

Em uma das ocasiões, Eduardo Bolsonaro culpou a China pelo coronavírus e foi duramente repreendido pelo diplomata chinês. Ernesto Araújo então defendeu o filho do presidente e disse ser “inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de Estado do Brasil e aos seus eleitores”.

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