“O impedimento de Lula é uma infâmia”, afirma José Dirceu

Ex-ministro petista criticou a Lei da Ficha Limpa durante lançamento de livro de memórias em Brasília. Segundo ele, PT "mudou" e "aprendeu"

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 29/08/2018 11:35

O ex-ministro da Casa Civil do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), José Dirceu, criticou nesta quarta-feira (29/8) a Lei da Ficha Limpa. Dirceu também defendeu a candidatura de Lula, preso em Curitiba desde abril deste ano por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“O impedimento de Lula é uma infâmia. (…) Temos que reavaliar a Ficha Limpa. Ela é uma das decisões que o Brasil deve rever. Cabe ao cidadão definir quem tem o direito de ser eleito e exercer um cargo eletivo”, afirmou. “O impacto do mensalão e da Lava Jato foi grande, mas o PT mudou. O partido pagou um preço caro, mas aprendeu”, completou.

Dirceu foi preso na 17ª fase da operação Lava Jato e, posteriormente, condenado a 30 anos e 9 meses de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No mês passado, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a execução da pena e o liberou da prisão.

As declarações do ex-ministro ocorreram em entrevista à imprensa em Brasília sobre o livro “Zé Dirceu: Memórias – Volume 1”. Ele fará uma “caravana democrática” por 20 cidades para promover a publicação. No roteiro, estão previstos debates e sessões de autógrafos. A incursão começa pelo Rio de Janeiro, em 4 de setembro. O ponto final será Belém (PA), em 3 de outubro.

Caso se confirme o indeferimento da candidatura de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice, Fernando Haddad, assume a cabeça de chapa petista. O julgamento na Corte deve ocorrer no início de setembro. Para Dirceu, o PT conseguirá transferir os votos de Lula para o ex-prefeito paulistano. O petista reafirmou no evento sua aposta no ex-prefeito de São Paulo, como declarou nesta terça-feira (28/8) em entrevista exclusiva ao Metrópoles. “Teremos tempo para o eleitor saber que Haddad é Lula e que Lula é Haddad”.

Confira a íntegra da entrevista do ex-ministro ao Metrópoles:

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