Na Hungria, Bolsonaro fala em “informações distorcidas” sobre Amazônia
Presidente disse ao líder húngaro que o Brasil atua na preservação e reflorestamento do bioma, mas dados apontam contradições
atualizado
Compartilhar notícia

Em declaração à imprensa ao lado do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, nesta quinta-feira (17/2), o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ter esclarecido ao presidente da Hungria, János Áder, dados sobre a Amazônia brasileira. A reunião com o líder ocorreu antes do encontro com o primeiro-ministro e se concentrou na matéria ambiental, mas só houve um pronunciamento oficial.
Segundo o chefe de Estado brasileiro, informações sobre a atuação do governo no bioma chegam para o mundo “de forma bastante distorcida”, como se o país fosse “o grande vilão”.
“Eu tive a oportunidade de falar para ele [János Áder] o que representa a Amazônia para o Brasil e o mundo. E muitas vezes as informações sobre essa região chegam para fora do Brasil de forma bastante distorcida, como se nós fôssemos os grandes vilões no que se leva em conta a preservação da floresta e sua destruição, coisa que não existe. Nós preservamos 63% do nosso território, e não se encontra isso em praticamente nenhum outro país do mundo. Nós nos preocupamos até mesmo com o reflorestamento, coisa que não vejo nos países da Europa como um todo”, disse Bolsonaro.
“Essa desinformação passa para o lado de um ataque à nossa economia, que vem, obviamente, em grande parte do agronegócio”, considerou ele.
As falas do presidente contrastam com uma série de dados de diferentes fontes que mostram aumento no desmatamento. Em novembro, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite-Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostrou que a Amazônia perdeu 13,235 mil km² de árvores no último ano.
O desmatamento nos 12 meses entre agosto de 2020 e julho de 2021 foi o maior para esse intervalo de tempo desde 2006. O Inpe é um órgão governamental e desmente afirmações de autoridades sobre controle e redução do problema.
Em janeiro deste ano, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou que o desmatamento registrado na região em 2021 foi o pior dos últimos 14 anos. Do início ao fim do ano passado, 10.362 km² de mata nativa foram destruídos, representando um avanço no desmatamentoo de 29% em comparação a 2020. O Imazon monitora a região por meio de imagens de satélites.
Soberania nacional
A menção à Amazônia também foi feita na quarta-feira (16/2), após uma reunião bilateral e um almoço de cerca de duas horas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Em declaração à imprensa depois do encontro, Bolsonaro fez um agradecimento, “de forma muito especial”, pela defesa da soberania brasileira, mesmo quando alguns países defenderam que a Amazônia era “patrimônio da humanidade”.
Amazônia: Bolsonaro agradece a Putin por defender soberania brasileira
“Quero agradecer a sua intervenção, que sempre esteve ao nosso lado, em defesa da nossa soberania. Muito obrigado”, declarou. A reunião com o líder russo ocorreu no Kremlin, sede do governo, em Moscou.
Desde o início do mandato, em 2019, Bolsonaro é cobrado pela comunidade internacional por medidas para proteção ambiental da Amazônia.
O Fundo Amazônia, criado em 2008 e abastecido essencialmente com recursos da Noruega e da Alemanha, está paralisado desde agosto de 2019, quando países europeus decidiram interromper os repasses após queimadas recordes na região. Cerca de R$ 2,9 bilhões estão travados em uma conta bancária federal, de acordo com ONGs participantes do Observatório do Clima.
Agendas na Rússia e Hungria
Bolsonaro chegou à Rússia na tarde de terça-feira (15/2), onde passou menos de 48 horas. A agenda oficial do presidente se concentrou na quarta-feira (16/2). O principal compromisso foi a reunião com Vladimir Putin, no Kremlin.
Os dois presidentes ficaram a sós praticamente todo o tempo, acompanhados apenas de intérpretes. Além de uma reunião de trabalho, almoçaram juntos e deram uma declaração conjunta ao final.
Ao lado de Putin, Bolsonaro defende “paz para o mundo”
Houve também um encontro de Bolsonaro e sua comitiva com um grupo de empresários. Ministros de Estado trataram ainda da venda, por empresas russas, de insumos para produção de fertilizantes agrícolas, que enfrentam escassez mundial. O Brasil importa boa parte desses produtos, tendo a Rússia como um de seus principais vendedores.
Na capital russa, Bolsonaro assinou um protocolo de emenda a um acordo de 2008 firmado entre Brasil e Rússia sobre proteção mútua de informações.
Saiba quem pagou hotel 5 estrelas onde Bolsonaro ficou na Rússia
Bolsonaro deixou o hotel Four Seasons, onde estava hospedado em Moscou, nesta quinta-feira por volta das 7h30, horário local, 1h30 da manhã em Brasília. O avião presidencial decolou do aeroporto da capital russa em direção a Budapeste cerca de uma hora depois.
O primeiro evento na capital húngara foi uma cerimônia em homenagem aos heróis húngaros. Bolsonaro depositou uma coroa de flores na Lápide Memorial. Na sequência, ele teve uma reunião privada com o presidente húngaro, János Áder.
Com Orbán, foram assinados acordos nas áreas de defesa, ajuda humanitária e recursos hídricos. Após a declaração, Orbán ofereceu um almoço em homenagem a Bolsonaro na Karmelita Kolostor, edifício em que funciona o gabinete do primeiro-ministro.
Depois, Bolsonaro terá uma reunião ampliada com o Presidente da Assembleia Nacional, László Köver. Não estão previstos outros pronunciamentos e Bolsonaro deve encerrar a passagem pelo leste europeu no fim da tarde desta quinta. A Hungria está quatro horas à frente de Brasília.
A previsão é de que o chefe do Palácio do Planalto desembarque no Brasil na sexta-feira (18/2). Ele seguirá direto para o Rio de Janeiro, onde pretende sobrevoar as áreas atingidas pelas fortes chuvas que mataram mais de 100 pessoas em Petrópolis, Região Serrana do Rio.








