Na CPI, cientistas rebatem Bolsonaro e defendem uso de máscara

O senador Randolfe Rodrigues determinou a inclusão do pronunciamento do presidente pelo fim do uso da proteção nos autos da comissão

atualizado 11/06/2021 20:05

Depoimento dos especialistas Natália Pasternak e Claudio MaierovitchRafaela Felicciano/Metrópoles

Crítica da gestão da pandemia do governo Jair Bolsonaro (sem partido), a microbiologista Natália Pasternak apontou, em sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta sexta-feira (11/6), que a dispensa do uso de máscaras deve acontecer somente quando o país atingir números baixos de novos infectados e de mortes pelo coronavírus. Segundo ela, essas são as curvas que devem orientar as medidas sanitárias no Brasil.

“O que deve determinar (o fim do uso de máscaras) não é o percentual de vacinados. Se a gente se basear no percentual de vacinados, isso fica um número muito probabilístico. A gente não sabe o que vai acontecer no Brasil quando a gente tiver 70% de vacinados. Isso é uma estimativa”, disse. “O que deve nos nortear são os números de casos novos e de hospitalizações e de óbitos”, enfatizou.

O médico sanitarista Cláudio Maierovitch também falou sobre o assunto, que veio à tona após declaração do presidente Bolsonaro nessa quinta-feira (10). Para ele, o fim da obrigatoriedade do uso da máscara deve ser uma das últimas medidas a serem tomadas. “Infelizmente, de acordo com o rumo que as medidas tomam, vai demorar um pouco para a gente poder flexibilizar (o uso de máscaras) e dizer, ‘olha a transmissão está sobre controle'”, afirmou.

“Hoje é impensável. Acredito que não devemos ter pressa em fazer a supressão do uso da máscara e a minha impressão é que isso ganhou um caráter simbólico para o presidente e para muitos políticos seguidores que fazem questão de ostentar o não uso da máscara como um símbolo de quem não dá importância para a pandemia, que é apenas uma gripezinha sem necessidade de controle”, enfatizou.

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Controvérsia

presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, nessa quinta, em um pronunciamento no Palácio do Planalto, que mandou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fazer um parecer para desobrigar o uso de máscaras por pessoas que já tiveram Covid-19 e por vacinados. Integrantes do Ministério da Saúde disseram, nos bastidores, que foram surpreendidos com a declaração.

“Acabei de conversar com um tal de Queiroga — não sei se vocês sabem quem é —, nosso ministro da Saúde. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado”, declarou.

Diante da declaração, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), determinou que sejam juntadas aos autos da CPI as declarações do presidente. “Peço que seja juntado aos autos dessa CPI o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre o uso de máscaras. Creio que esse será um dado necessário para o relatório do senador Renan Calheiros”, disse.

 

 

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