Na CPI, Barra Torres contradiz Bolsonaro: “Vacina é essencial”

Para diretor da Anvisa, manifestações do chefe do Executivo "vão contra tudo o que temos preconizado em todas as manifestações públicas"

atualizado 11/05/2021 12:51

Antonio Barra Torres Anvisa Edilson Rodrigues/Agência Senado

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, rebateu, nesta terça-feira (11/5), as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desencorajando a vacinação de brasileiros contra o novo coronavírus. Ele presta depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid.

Barra Torres afirmou que as manifestações do chefe do Executivo nacional “vão contra tudo o que temos preconizado em todas as manifestações públicas”. “Entendemos que a política de vacinação é essencial. Temos que vacinar as pessoas. Entendemos também que não é o fato de vacinar que vai fazer abrir mão de máscaras, isolamento social, álcool em gel”.

“Se estamos todos aqui nessa sala é porque um dia, pais, mães nos pegaram pela mão e nos vacinaram. Falar contra vacina não guarda razoabilidade histórica. Vacina é essencial”, enfatizou.

O diretor-presidente da Anvisa disse ainda que a população deve se orientar apenas pelas recomendações das autoridades sanitárias. “A população não deve ser orientar por condutas dessa maneira, mas por aquilo que está sendo preconizados por órgãos que estão de frente”, completou.

Aos senadores, Barra Torres voltou a dizer que a Anvisa “é agência de Estado, não do governo” e que o órgão não participa da elaboração de contratos de aquisição de imunizantes, apenas sobre questões técnicas a respeito de uso emergencial e registro de vacinas.

Outros depoimentos

Ele é o quarto depoente da CPI da Covid-19. Antes, os senadores ouviram os esclarecimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

Nesta semana, o colegiado também realiza oitivas com o ex-secretário de Comunicação Social Fábio Wajngarten e representantes da farmacêutica Pfizer.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello só será ouvido em 19 de maio, uma vez que teve contato com duas pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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