Mourão evita comentar bronca de Bolsonaro após falas sobre a Ucrânia
Vice disse que Brasil não concorda com conflito no Leste Europeu. Para Bolsonaro, Mourão não tem “competência” para falar sobre o assunto
atualizado
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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, evitou comentar, nesta quinta-feira (3/3), as críticas endereçadas a ele pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na semana passada. No dia em que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro, Mourão afirmou que o Brasil não concorda com o conflito. Na ocasião, ele foi o primeiro integrante do alto escalão brasileiro a comentar a situação. Mourão declarou que “tem que haver uso da força e apoio à Ucrânia”.
Horas depois, durante uma transmissão nas redes sociais, Bolsonaro desautorizou Mourão e disse que o vice não tinha “competência” para comentar o assunto. “Deixar bem claro: o artigo 84 da Constituição diz que quem fala sobre esse assunto é o presidente. E o presidente chama-se Jair Messias Bolsonaro. E ponto final. Com todo respeito a essa pessoa que falou isso – e falou mesmo, eu vi as imagens – está falando algo que não deve. Não é de competência dela. É de competência nossa”, bronqueou o presidente.
Nesta quinta-feira, questionado se teria conversado com Bolsonaro sobre o episódio, Mourão evitou se manifestar e disse que o assunto diz respeito somente aos dois. O vice voltou a comentar o conflito entre Rússia e Ucrânia, mas sem dar grandes afirmações. Segundo ele, as sanções impostas contra a Rússia podem “surtir algum efeito, mas é preciso aguardar”.
“O que a gente entende é que há uma dificuldade dos russos em atingir os objetivos que traçaram. O povo ucraniano está resistindo. […] As sanções que foram aplicadas à Rússia não são piores do que as que foram aplicadas ao Irã […], mas eu acho que podem surtir algum efeito aí”, afirmou o general.
Conflito entre Rússia e Ucrânia
A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existem desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).
Com autorização do presidente Vladimir Putin, tropas russas iniciaram, na madrugada de 24 de fevereiro, uma ampla operação militar para invadir a Ucrânia. Em pronunciamento, ele fez ameaças e disse que quem tentar interferir no conflito sofrerá consequências nunca vistas na história.
Já são oito dias de luta armada. O conflito é considerado a maior ofensiva militar registrada na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Delegações dos dois países se reuniram em duas oportunidades nesta semana, em uma tentativa de negociar um cessar-fogo e a retirada das tropas russas do território ucraniano, mas ainda não há sinal de que o conflito seja interrompido. Nesta quinta-feira, no entanto, Rússia e Ucrânia concordaram em criar rotas de fuga, chamadas de corredores verdes (ou “corredores humanitários”).






















