Mourão diz que combate ao desmatamento não será suficiente a longo prazo

A declaração foi feita durante inauguração da nova sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Brasília

atualizado 21/10/2021 16:54

Mourão na AmazôniaBruno Batista/ VPR

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse, nesta quinta-feira (21/10),  que as medidas de combate ao desmatamento ilegal “são necessárias e urgentes”, mas a longo prazo, não bastarão. A declaração foi feita durante inauguração da nova sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Brasília.

“Na Amazônia brasileira, minha visão é de que medidas de repressão ao desmatamento ilegal são necessárias e urgentes, mas no longo prazo não serão suficientes. O governo brasileiro, recorreu, de maneira excepcional, às Forças Armadas para o combate aos crimes ambientais […] Graças a essas e outras medidas conseguimos reverter a trajetória de aumento do desmatamento que recebemos no começo do governo e estamos assegurando as condições para uma redução mais acelerada nos próximos meses”, disse o vice-presidente.

O general mencionou as Garantias de Lei e Ordem (GLO) instauradas na Amazônia para frear o desmatamento ilegal. A última operação, Samaúma, terminou na semana passada. O governo federal decidiu não prorrogá-la.

“Termina hoje. Sem renovação da GLO. O que foi acertado? As Forças Armadas continuam a prestar apoio logístico de comunicações de inteligência, o Ministério do Meio Ambiente, que teve o seu orçamento duplicado, ele repassa o recurso necessário para o Ministério da Defesa, coordenação feita dentro do grupo gestor e pronto, segue o baile”, disse Mourão na ocasião.

O governo utilizou apenas 22% das verbas direcionadas às agências ambientais para combater os atos ilícitos, de acordo com dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) levantados pelo Estadão. De R$ 384,9 milhões, o governo empenhou apenas R$ 83,5 milhões para combater crimes ambientais.

Em agosto de 2021, a Amazônia teve a maior área desmatada para um mês em 10 anos. Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônica (Imazon), foram desmatados 1.606 km² de floresta no mês. A área é 7% maior do que o número registrado em agosto de 2020 e o equivalente a cinco vezes o tamanho de Belo Horizonte. Só neste ano, foram destruídos 7.715 km² de floresta, o pior número da década. O índice é 48% maior do que o observado no mesmo período do ano passado.

Além do general Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal (Cnal) – órgão do governo federal dedicado a vigiar e unir esforços par combater os crimes ambientes no bioma, também participaram da solenidade a Secretária-Geral da OTCA, Alexandra Moreira; o ministro das Relações Exteriores, Carlos França; o senador Nelsinho Trad (PSB-MS); a deputada federal Kátia Abreu (PP-TO) e o secretario de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Flávio Rocha.

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica é uma organização intergovernamental constituída por oito países membros: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

O bloco coordena os procedimentos no marco do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) e dinamiza as execução das suas decisões. As várias dimensões da ação da OTCA – política diplomática, estratégica e técnica – correspondem às diferentes instâncias do Tratado de Cooperação Amazônica e incentivam o desenvolvimento sustentável e a inclusão social na região.

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