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Política

Mourão admite "ruídos" com a China, mas ressalta parceria comercial

Vice foi questionado sobre críticas ao país por autoridades brasileiras. Recentemente, Bolsonaro voltou a questionar eficácia da Coronavac

23/05/2022 12:16
Arthur Menescal/Especial Metrópoles
Vice-presidente Hamilton Mourão fala com a imprensa após 5ª

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Republicanos), admitiu nesta segunda-feira (23/5) que há “ruídos” na comunicação brasileira com a China. Ele, no entanto, ressaltou que a potência econômica é um “parceiro confiável” do Brasil.

Em conversa com a imprensa após reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) – que tem o objetivo de incentivar o relacionamento bilateral entre Brasil e China –, Mourão foi questionado sobre declarações de integrantes do governo brasileiro contra o governo chinês.

Na semana passada, por exemplo, o próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a questionar a eficácia da Coronavac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. O chefe do Executivo federal citou o aumento de casos da Covid na China.

“De poucas semanas para cá, estamos vendo a explosão de casos de Covid na China. Não vou fazer juízo de valor, mas de onde é a Coronavac? Se no país onde nasceu a Coronavac o povo está se contaminando em larga escala, o que está acontecendo? Por que estão explodindo casos em Xangai e em outros grandes centros?”, indagou o presidente durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

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Mourão, que é casado com Paula Mourão e é pai de Antônio Hamilton Rossell Mourão, ingressou na carreira militar ainda na juventude. Com o tempo, foi conquistando espaço e cargos dentro do Exército
Chegou a ser instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, foi vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, enviado para Missão de Paz na Angola, comandou a 6ª Divisão do Exército em Porto Alegre, cuidou de assuntos militares na embaixada do Brasil na Venezuela, foi Comandante Militar do Sul, entre outros
Chefiou a Secretaria de Economia e Finanças, mas foi exonerado tempos depois. À época, a exoneração foi associada às declarações que ele fez durante palestra em clubes do Exército
Mourão nega que tenham acertado com generais possível saída de Jair Bolsonaro da Presidência
O senador Hamilton Mourão
Antônio Hamilton Martins Mourão é um general da reserva do Exército do Brasil e atual vice-presidente da República. Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Mourão tem mostrado interesse em disputar as eleições de 2022 longe de Bolsonaro
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Antônio Hamilton Martins Mourão é um general da reserva do Exército do Brasil e atual vice-presidente da República. Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Mourão tem mostrado interesse em disputar as eleições de 2022 longe de Bolsonaro

Arthur Menescal/Metrópoles
Mourão, que é casado com Paula Mourão e é pai de Antônio Hamilton Rossell Mourão, ingressou na carreira militar ainda na juventude. Com o tempo, foi conquistando espaço e cargos dentro do Exército
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Mourão, que é casado com Paula Mourão e é pai de Antônio Hamilton Rossell Mourão, ingressou na carreira militar ainda na juventude. Com o tempo, foi conquistando espaço e cargos dentro do Exército

Romério Cunha/VPR
Chegou a ser instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, foi vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, enviado para Missão de Paz na Angola, comandou a 6ª Divisão do Exército em Porto Alegre, cuidou de assuntos militares na embaixada do Brasil na Venezuela, foi Comandante Militar do Sul, entre outros
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Chegou a ser instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, foi vice-chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, enviado para Missão de Paz na Angola, comandou a 6ª Divisão do Exército em Porto Alegre, cuidou de assuntos militares na embaixada do Brasil na Venezuela, foi Comandante Militar do Sul, entre outros

Arthur Menescal/Especial Metrópoles
Chefiou a Secretaria de Economia e Finanças, mas foi exonerado tempos depois. À época, a exoneração foi associada às declarações que ele fez durante palestra em clubes do Exército
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Chefiou a Secretaria de Economia e Finanças, mas foi exonerado tempos depois. À época, a exoneração foi associada às declarações que ele fez durante palestra em clubes do Exército

Hugo Barreto/Metrópoles
Mourão nega que tenham acertado com generais possível saída de Jair Bolsonaro da Presidência
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Mourão nega que tenham acertado com generais possível saída de Jair Bolsonaro da Presidência

Rafaela Felicciano/Metrópoles
O senador Hamilton Mourão
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O senador Hamilton Mourão

Rafaela Felicciano/Metrópoles
O então presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão
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O então presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão

Isac Nóbrega/PR
Após assumirem os cargos, no entanto, a relação de Bolsonaro e Mourão se tornou conturbada. Por diversas vezes, o presidente chamou os comentários do general de “infelizes”
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Após assumirem os cargos, no entanto, a relação de Bolsonaro e Mourão se tornou conturbada. Por diversas vezes, o presidente chamou os comentários do general de “infelizes”

Igo Estrela/Metrópoles
Entre as polêmicas envolvendo o nome do vice-presidente estão: comentários racistas, comemoração do “aniversário” do Golpe de 1964 no Brasil e o pedido de impeachment de Mourão feito pelo deputado Marco Feliciano em 2019, que foi arquivado por Rodrigo Maia
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Entre as polêmicas envolvendo o nome do vice-presidente estão: comentários racistas, comemoração do “aniversário” do Golpe de 1964 no Brasil e o pedido de impeachment de Mourão feito pelo deputado Marco Feliciano em 2019, que foi arquivado por Rodrigo Maia

Arthur Menescal/Metrópoles
O distanciamento cada vez mais claro entre Bolsonaro e Hamilton tornou evidente a ruptura da atual chapa presidencial. Desprezando o nome do atual vice-presidente para concorrer às eleições de 2022, Bolsonaro já tem ao menos outros três nomes para possível vice
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O distanciamento cada vez mais claro entre Bolsonaro e Hamilton tornou evidente a ruptura da atual chapa presidencial. Desprezando o nome do atual vice-presidente para concorrer às eleições de 2022, Bolsonaro já tem ao menos outros três nomes para possível vice

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Mourão é ex-vice presidente de Bolsanaro
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Mourão é ex-vice presidente de Bolsanaro

Bruno Batista/ VPR

Sobre o assunto, Mourão disse que mesmo com os ruídos, a comunicação entre Brasil e China foi “mantida sempre no mais alto nível”. “Isso ficou claro durante todas as manifestações ocorridas agora durante a nossa reunião e bem como as reuniões das subcomissões que ocorreram ao longo desse período [de pandemia]”, afirmou o vice-presidente.

“A China adotou uma estratégia de enfrentamento do Covid totalmente distinta do resto do mundo. Vamos dizer assim: pelas características do país e sistema de governo, ela [China] adota essa estratégia de ‘Covid zero’; volta e meia causa uma ruptura em termo das cadeias de suprimentos globais, porque dá uma parada na economia, mas aqui no nosso caso tivemos um relacionamento bem intenso”, acrescentou.

O vice lembrou que o Brasil comprou 100 milhões de doses da Coronavac contra a Covid-19. “Ou seja, essa parceria, em termos de enfrentamento da pandemia, ela foi extremamente positiva para nós aqui no Brasil e para a relação comercial da China”, disse Mourão, ressaltando que o país também é um parceiro “confiável” e “capaz de suprir uma das grandes demandas chinesas, que é a questão de segurança alimentar”.

Críticas à China

Desde sua campanha presidencial, Bolsonaro vem fazendo críticas à China. Os ataques também vêm de pessoas próximas ao presidente, como seus filhos, alidos e ex-integrantes do governo. Os ataques aumentaram durante a pandemia de coronavírus.

Em maio do ano passado, Bolsonaro insinuou que a pandemia seria parte de uma “guerra biológica” chinesa e que “os militares sabem disso”.

Em outras oportunidades, o presidente disse, sem citar o nome do país, que o vírus pode ter sido criado propositalmente na China.

Também no ano passado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, culpou o país asiático pela Covid-19.

Nas redes sociais, o parlamentar publicou uma mensagem que dizia: “Quem assistiu (à série) Chernobyl vai entender o q ocorreu. Substitua a usina nuclear pelo coronavírus e a ditadura soviética pela chinesa. +1 vez uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas q salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução”.

Na época, a Embaixada da China no Brasil repudiou os comentários do deputado e disse que as declarações eram “extremamente irresponsáveis” e pediu para que Eduardo pedisse “desculpas ao povo chinês”.