Milícias avançariam se não fosse inquérito das Fake News, diz Gilmar Mendes

Ministro da Suprema Corte se reuniu, na tarde desta terça-feira (28/9), com representantes da Frente Parlamentar do Empreendedorismo

atualizado 28/09/2021 17:12

Ministro do STF Gilmar Mendes em reunião com a Frente Parlamentar do EmpreendedorismoDivulgação/FPE

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes (foto em destaque, à esquerda) disse, nesta terça-feira (28/9), que, se não fosse o Inquérito das Fake News, o país teria avançado mais ainda na criação de milícias.

O inquérito foi aberto em março de 2019 para apurar a produção e divulgação de notícias fraudulentas, ofensas e ameaças a ministros do STF.

“Uma das reações ocorreu quando atiraram fogos sobre o Supremo Tribunal Federal. Ali estava havendo financiamento, tanto que, tenho a impressão de que, se não tivesse um tipo de reação, muito provavelmente teríamos avançado na criação de milícias, que nada tem a ver com democracia”, afirmou.

Gilmar Mendes almoçou hoje com parlamentares da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).

Além dos deputados, a reunião contou com a participação dos senadores Espiridião Amin (PP-SC) e Antônio Anastasia (PSD-MG), do assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes, Jorge Lima, e de empresários brasileiros, como o dono da Riachuelo, Flávio Rocha.

Após palestrar durante 50 minutos, o ministro respondeu perguntas dos participantes. Flávio Rocha e a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF) questionaram o magistrado sobre pautas bolsonaristas.

Gilmar Mendes comentou também sobre as prisões do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) e do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

“Não estamos falando sequer de alguém que defendeu o fechamento do Supremo. Não é nada disso. Um deles [Daniel Silveira] disse que ia atacar um ministro do Supremo. Ou, se nós estamos falando do Roberto Jefferson, ele estava posando com armas e dizendo que se amanhã aparecer na sua igreja um fiscal sanitário, coloca uma balaclava e atira no pescoço”, relembrou.

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“Isso não tem nada a ver, nem no Brasil nem em nenhum lugar democrático do mundo, com liberdade de expressão. Eu não posso dizer que não houve holocausto ou que o judeu é um ser que eu deva eliminar”, prosseguiu.

O ministro assegurou, ainda, que antes do inquérito das Fake News, o país estava muito próximo de “derrapar” para um “modelo de perfil autoritário”.

Após a reunião, Flávio Rocha demonstrou, em conversa com jornalistas, descordar da resposta do ministro. O empresário afirmou defender a liberdade total de expressão e disse que a atual legislação já trata dos crimes de difamação, calúnia e injúria.

À Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Gilmar Mendes destacou a atuação do Supremo Tribunal Federal durante a pandemia do novo coronavírus.

“O tribunal contribuiu para uma melhoria e, talvez, reduzir o déficit de governança na política sanitária”, afirmou.

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