João Goulart Filho: “Bolsonaro deve respeitar as regras democráticas”

Filho de Jango, deposto pelo golpe de 1964, candidato ao Planalto pelo PPL defende bandeira do “nacional desenvolvimentismo”

atualizado 11/09/2018 21:15

Igo Estrela/Metrópoles

O candidato do PPL à Presidência da República, João Goulart Filho, criticou nesta terça-feira (11/9) a conduta de Jair Bolsonaro como defensor do regime militar no controle do país. Em entrevista ao Metrópoles, Goulart Filho declarou que o deputado e militar da reserva deve respeitar as regras da democracia.

“Ele [Bolsonaro] é um candidato que se apresenta dentro de uma democracia, mas prega a volta da ditadura. Isso não faz sentido. Ou ele respeita as regras da democracia ou defende a ditadura dentro dos quartéis”, disse.

Para Goulart Filho, nem os militares brasileiros concordam com as propostas de Bolsonaro. Ele citou, por exemplo, o uso da base militar de Alcântara (MA) pelos Estados Unidos. Jair Bolsonaro é o líder em pesquisas eleitorais, ultrapassando os 20% das intenções de voto no primeiro turno. “Não acredito que nem os nossos militares concordam com as ideias de Bolsonaro”.

Ele criticou uma foto publicada pela equipe do candidato do PSL após o ataque sofrido pelo presidenciável na semana passada. Na imagem, em recuperação, Bolsonaro faz um gesto em alusão a uma arma. “A primeira coisa que ele fez foi um gesto de metralhadora. Isso não podemos aceitar. Como ele vai chegar à Presidência da República? Ele vai governar só para um segmento?”.

Confira a íntegra da entrevista:

 

Violência urbana
O candidato do PPL afirmou ser contra o uso e liberação do porte de armas. Ele aproveitou para cutucar Bolsonaro, vítima de um assalto em 1995. O deputado tinha autorização para usar uma pistola, mas não reagiu quando foi abordado por um criminoso no Rio de Janeiro. “Acho um absurdo [a liberação do porte de armas]. Imagina o Estado dar uma arma ao brasileiro, dizendo “Te vira!”?! Ele [Bolsonaro] não conseguiu nem se defender quando era vereador e com uma pistola .380”.

Goulart Filho defendeu a descriminalização de drogas “leves”, como a maconha. Segundo ele, o uso de entorpecentes deve ser tratado como uma questão de saúde pública e como uma forma de diminuir a população carcerária do país, a terceira maior do mundo, com mais de 700 mil presos. “Cerca de 200 mil deles foram parar lá por crimes leves. Nós entendemos que o usuário deve ser tratado como questão de saúde pública e não como penal”.

João Goulart Filho foi questionado por sua passagem pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). Um dos fundadores, ele deixou a legenda em 2017 por divergências com membros da legenda. A sigla, hoje, tem um candidato próprio à Presidência: Ciro Gomes. “Saí por uma questão política, divergência por conta de uma ação por cima da proposta trabalhista, [com] que eu não podia concordar”, declarou.

Em pesquisa Datafolha divulgada nessa segunda (10/9), João Goulart Filho oscilou negativamente de 1% para 0% nas intenções de voto. Isso significa que o nome do presidenciável do PPL foi mencionado por eleitores, mas não o suficiente para atingir 1%.

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O candidato
Formado em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o candidato defende a bandeira do “nacional desenvolvimentismo”, que seria uma retomada do modelo econômico adotado no período entre os governos Getúlio Vargas e Jango.

O candidato do PPL participou em 1979 da fundação do PDT, legenda nascida sob a liderança de seu tio Leonel Brizola. Saiu do partido em 2017, após o atual governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), decidir não construir um memorial em homenagem ao pai.

Nascido no Rio de Janeiro, o presidenciável passou parte da infância e a adolescência no Uruguai, na Argentina e na Inglaterra, por causa da perseguição política ao pai. Em 2017, Goulart Filho escreveu o livro Jango e Eu – Memórias de um exílio sem volta, sobre a vida da família fora do país.

O Partido Pátria Livre foi fundado em 2009 e registrado na Justiça Eleitoral em 2011. Teve como embrião o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização participante da luta armada contra a ditadura no Brasil.

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