“Medidas de segurança” dificultam trabalho de jornalistas na posse
Profissionais de comunicação não tiveram acesso a água, tomadas ou assentos na cobertura da posse de Bolsonaro
atualizado
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Profissionais de comunicação encontraram dificuldade para acessar e transitar nas áreas reservadas à imprensa na cobertura da posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) nesta segunda-feira (1º/1). As restrições impostas pela equipe de transição comprometeram parte do trabalho dos jornalistas, já que em boa parte da manhã eles não tiveram acesso a itens básicos como água, cadeiras ou tomadas para os equipamentos eletrônicos.
No mezanino no Congresso, por exemplo, o acesso foi liberado apenas às 12h30, embora, por definição da equipe de transição, eles tenham chegado às 9h30. O acesso foi feito apenas pelos ônibus fretados para a posse, que saíram todos no mesmo horário. Não havia a opção de os profissionais irem por conta própria até os locais de cobertura.
Há relatos de que dentro do ônibus que levou os profissionais para a cobertura havia um policial deslocado para vigiá-los.
Ao chegar no Congresso e no Palácio do Planalto – outro local para onde foram distribuídas credenciais – os profissionais foram revistados com detectores de metal. A revista, no entanto, já havia sido realizada antes, no local de partida definida pela própria equipe de transição, que era o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB).
Na área externa do Palácio do Planalto, os profissionais foram recebidos aos gritos de “comunistas” por apoiadores do presidente eleito.
Restrições
Todo trânsito está bloqueado na Esplanada dos Ministérios, inclusive para pedestres nas vias que circundam o Planalto, e os demais palácios, sedes do Congresso e do Judiciário. Desta forma, os jornalistas tiveram que seguir para o local de trabalho em ônibus fretados pela organização.
Todos os profissionais tiveram que passar por uma revista que restringiu até alimentos como maçã, que acabaram confiscadas pela segurança.
Os jornalistas estão também impedidos de circular pela rua para retratar as pessoas que estão em Brasília participarão da posse. Ao embarcar nos ônibus, um profissional de equipe do governo de transição foi claro. “Só há permissão para que os jornalistas fiquem dentro do cercado. Para a segurança de vocês, não tentem pular a cerca”, avisou o assessor.
No início da tarde, jornalistas finalmente conseguiram acesso ao comitê de imprensa, localizado ao lado do Plenário Ulysses Guimarães. No entanto, pouco depois de liberar o acesso, a segurança voltou a impedir outros parte dos profissionais foi impedida de acessar. Após novas negociações, o espaço foi liberado.
Cerimônia de posse
O trajeto do 38º presidente da nação começa na Catedral Metropolitana e, depois de uma série de protocolos no Congresso Nacional e Palácio do Planalto, termina com uma recepção, às 18h30, no Palácio do Itamaraty. A Polícia Militar estima que 500 mil pessoas passem pela área central.
Depois de ser esfaqueado durante uma agenda ainda na campanha eleitoral, os cuidados com a segurança do capitão reformado do Exército Brasileiro foram elevados a graus extremados. A preocupação do staff presidencial se tornou ainda maior após o Metrópoles revelar ameaças a Bolsonaro feitas por um grupo intitulado Sociedade Secreta Silvestre.
Para conferir tranquilidade à cerimônia de posse, uma verdadeira operação de guerra foi montada na capital do país. Atiradores de elite serão posicionados no alto de prédios, caças rasgarão o céu com autorização de abater aeronaves que invadirem o espaço aéreo e linhas rigorosas de revistas policiais serão montadas.
