Mayra Pinheiro: Fiocruz tem “pênis na porta” e tapetes de Che Guevara

Secretária do Ministério da Saúde teve áudio divulgado na CPI da Covid no qual faz críticas "ideológicas" à Fundação Oswaldo Cruz

atualizado 25/05/2021 17:39

Mayra Pinheiro_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

O vice-presidente da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), divulgou, nesta terça-feira (25/5), durante o depoimento da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, um áudio no qual a médica faz críticas e ataques à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, Mayra Pinheiro chegou a dizer, em gravação de 2019, que a Fiocruz tinha tapetes com a imagem de Che Guevara e “um pênis” na porta.

“A Fiocruz trabalha contra todas as políticas que são contrárias a eles, de minorias. Tudo deles envolve LGBTI, eles têm um pênis na porta da Fiocruz. Todos os tapetes são a figura do Che Guevara, as salas são figurinhas do ‘Lula Livre’, ‘Marielle Vive'”, afirma Mayra no áudio.

Ouça:

A gravação, segundo ela, teria sido repassada a um colega, que vazou o conteúdo. Na ocasião, a médica não integrava o corpo do Ministério da Saúde.

“Eles fazem uma listra tríplice e é apresentada para a Presidência da República. Da última vez no governo do PT, o senador Tasso [Jereissati (PSDB-CE)] foi uma das pessoas que endossou o nome dessa mulher aí (sic), foi uma guerra e a gente não conseguiu [barrar a nomeação]. Tem que tirar esse poderio [da Fiocruz] de direcionar a saúde no Brasil”, disse.

Confrontada pelo senador sobre o conteúdo do áudio, Mayra se defendeu dizendo que esse material “foi uma resposta a um colega”. “Não foi agora, enquanto estou secretária de governo, e houve um vazamento. Nessa época isso era a constatação, senador, de fatos.”

Antes de ter o áudio exposto, Mayra havia dito que a Fiocruz “é uma instituição de excelência, que tem dado grande contribuição para a vacina agora, no Brasil, no momento em que nós vivemos”.

Procurada pelo Metrópoles, a Fiocruz informou que não se pronunciará sobre o assunto.

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Mayra é a nona depoente do colegiado. Antes, os senadores ouviram os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello, além do atual chefe da Saúde, Marcelo Queiroga.

O ex-chanceler Ernesto Araújo, o gerente-geral da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, também prestaram depoimento.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.

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