Maia sobre CPMF: “Não é criando novo imposto que vai resolver o problema”
Em meio à discussão da reforma tributária, o presidente da Câmara descartou novamente volta de imposto sobre transações

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a criticar proposta do governo federal de recriar “nova” Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF). O parlamentar disse que criar outro imposto “não vai resolver o problema” do sistema tributário brasileiro.
“Não acho que criando novo imposto, que é cumulativo, que trava a economia, vai resolver o problema. É algo que eu estou defendendo há muito tempo. A gente precisa olhar o que temos de despesas, não é só orçamento”, afirmou Maia durante evento da LIDE.
Para tentar mitigar o impacto econômico da crise do coronavírus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem defendido a desoneração da folha de pagamento para a criação de novos empregos. Mas, em troca, quer taxar transações digitais. O tributo não levaria o nome de “CPMF”, mas, na prática, seria equivalente ao antigo imposto.
“Acho que a gente simplificar o sistema significa tirar da cadeia tributação que muitos setores estão pagando e não deveriam pagar, e que cada um pague sua parte até o consumidor final. Mas eu acho que o sistema tributário precisa ser modificado”, explicou Maia.
Segundo o presidente da Câmara, “o grande problema do Brasil é o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), porque envolve 27 legislações dos entes federativos: “Quem está no setor de serviços não tem esse problema, mas é ela que trava a economia brasileira. Se a gente não resolver isso, eu acho que vai ser uma reforma tributária que vai nos frustrar”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMaia ainda ponderou sobre quem deve se beneficiar com a reforma tributária, que está em discussão no Congresso Nacional. Ele citou como exemplo as deduções da área da Saúde, que ficam, de acordo com o deputado, com pessoas que ganham acima de R$ 35 mil.
“Isso é justo? Se tem voto para acabar com isso, acho que não tem. Então, vamos sentar com o setor de saúde e vamos fazer o sistema e fazer uma simulação”, avaliou. “Quem a gente precisa beneficiar na reforma tributária? Saúde? Educação? Mas ‘peraí’, tem educação e educação, saúde e saúde. Eu não posso pensar que tenho que tratar da saúde da classe A de forma a dar benefício a ela”.













