Lula divulga seu “discurso” e diz que “verdade” de Bolsonaro “soa falsa”
Essa é a segunda vez que o ex-presidente se coloca no lugar do adversário. A primeira foi no “pronunciamento” pelo Dia da Independência
atualizado
Compartilhar notícia

Ao comentar o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta terça-feira (22/9), na abertura da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva divulgou o que seria o seu discurso, neste ano, no fórum internacional. Segundo o petista, “as únicas palavras sensatas do discurso de Bolsonaro na ONU foram as primeiras: o mundo precisa mesmo conhecer a verdade”. No entanto, disse que ditas por Bolsonaro, a frase “soa falsa”.
Repetindo o gesto feito no último dia 7 de setembro, Dia da Independência, quando Lula fez, por meio de suas redes sociais, um “pronunciamento” à nação, dessa vez, o presidente divulgou a íntegra do que falaria se fosse hoje presidente, comparando com pontos tratados por Bolsonaro no discurso.
“Senhoras e senhores desta Assembleia, o Brasil se envergonha de ter tido, ao longo desta gravíssima pandemia, um governo que ignorou a ciência e desprezou a vida, o que resultou em mais de 136 mil mortes e milhões de contaminados pela Covid. Queremos anunciar que, a partir deste momento, vamos realizar testes em massa na população para conhecer as verdadeiras dimensões da pandemia e enfrentá-la”, iniciou o presidente.
“Vamos recompor o Orçamento da Saúde para ter hospitais, médicos, enfermeiros e remédios; investir o que for necessário para salvar vidas. Vamos manter o auxílio emergencial de R$ 600 e instituir o Mais Bolsa Família, para que este valor seja pago mensalmente a todas as famílias vulneráveis”, prosseguiu.
Lula disse ainda que os bancos públicos seriam usados para abrir crédito para as pequenas empresas. “Retomaremos já as obras paradas para reativar a economia e gerar empregos”.
Propaganda enganosa
Ao criticar a defesa que o atual presidente faz do uso da cloroquina para o tratamento do coronavírus, Lula disse que “o governo brasileiro nunca mais fará propaganda enganosa de remédios sem comprovação científica nem voltará a desmoralizar medidas coletivas de prevenção”, destacou.
Sobre o desmatamento, o ex-presidente disse ainda que reduziria o desmatamento a zero, mas por meio de decreto. “A partir de hoje, estamos decretando o Desmatamento Zero da Amazônia. Três anos de proibição total de queimadas e derrubadas, para que a natureza tenha tempo de se recuperar da destruição”. O feito de desmatamento zero, no entanto, não se verificou durante os 8 anos de sua gestão, embora se tenha reduzido bastante os índices.
Provocação
Lula ainda falou sobre as queimadas no Pantanal e considerou a presença de militares na fronteira com a Venezuela, como “provocação”. “Convocamos as Forças Armadas para combater o incêndio do Pantanal, a começar pelos 4 mil hoje deslocados para fazer provocação militar irresponsável em nossa fronteira com a Venezuela”, emendou o petista.
“Os povos indígenas são irmãos da natureza e guardiões do meio ambiente. Terão prioridade nas ações emergenciais de saúde. Seu território e suas culturas voltarão a ser respeitados, com a retomada das demarcações de reservas e terras indígenas”, disse o ex-presidente.
O líder petista usou uma frase do papa Francisco para falar sobre a questão da fome no país. “Como alertou papa Francisco: ‘Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade’. No Brasil, a partir de hoje, tudo que o estado fizer será no sentido de reverter séculos de desigualdade, o racismo estrutural que nos legou a escravidão, o patriarcado que discrimina as mulheres, superar o preconceito, a fome, a pobreza, o desemprego”, destacou Lula.












