Líder do governo: “Relatório de Renan não pode ter natureza de sentença”

Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) cobrou que o relatório da CPI da Covid-19 "não se reduza a apontar culpados"

atualizado 13/10/2021 18:45

Fernando Bezerra Coelho_CPI da CovidLeopoldo Silva/Agência Senado

O líder do governo no Senado Federal, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), usou a tribuna, nesta quarta-feira (13/10), para externar “preocupação” com o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19. O documento deve ser votado em 20 de outubro.

O parlamentar afirmou que o “relatório final da comissão não pode ter unicamente natureza de verdadeira sentença”.

“Nossa expectativa é que possamos considerar, no relatório, a experiência de diversos países e perceber que as repercussões da pandemia foram diferentes em diferentes momentos. Alguns países que se saíram melhor que outros tiveram subsequentemente mais mortes e vice-versa”, disse.

Sucessos e fracassos

O governista cobrou que o desfecho do colegiado “não se reduza a apontar culpados, mas a garantir uma compreensão precisa dos sucessos e fracassos” na gestão da pandemia pelo governo federal.

Bezerra criticou o que chamou de falta de imparcialidade na condução das investigações realizadas pelo colegiado. “Desde o início dos trabalhos, defendi que a investigação impusesse enfoque técnico, ausência de viés político e atuação dentro dos limites constitucionais”, ressaltou.

“Não faltaram apelos para que o equilíbrio e o exercício do consenso fossem a tônica dos trabalhos, visando combater os excessos de toda ordem e, sobretudo, as radicalizações. A investigação apura e esclarece os fatos, o que pode ou não resultar em um processo”, prosseguiu.

Reino Unido como modelo

O senador citou como “modelo” de relatório ideal aquele recentemente divulgado pelo Parlamento do Reino Unido, com análises da gestão britânica no combate da pandemia.

“O intuito desta investigação não foi de atribuir culpas, mas fornecer uma avalição das principais discussões, estruturas e fatores subjacentes que contribuíram para extensão do impacto da pandemia do Reino Unido”, explicou.

A investigação conduzida pelo governo britânico apontou “erros graves” nas ações do Executivo do país na condução da crise sanitária. Segundo o texto, as ações adotadas pelo governo, como atrasos na adoção de lockdowns, foram determinantes para a explosão de casos e óbitos na região.

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