Justiça Federal vai reabrir caso da facada em Bolsonaro, diz Wassef

Adélio Bispo é o autor da facada que o então candidato à presidência sofreu em 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora

atualizado 03/11/2021 19:59

Reprodução

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, derrubou restrições à investigação sobre possíveis mandantes da tentativa de assassinato sofrida pelo presidente Jair Bolsonaro em 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Com a decisão, poderá ser realizada, por exemplo, a quebra do sigilo bancário do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defendeu Adélio Bispo de Oliveira, preso após esfaquear Bolsonaro. O advogado do presidente, Frederick Wassef afirmou que a decisão é uma vitória e poderá ajudar a desvendar o caso, que segundo ele tem mandante e patrocinador.

À reportagem, Wassef classificou a decisão como “uma vitória do Brasil e da democracia”. Segundo ele, todas as evidências coletadas pela Polícia Federal (PF) desde o atentado e novas informações poderão ser usadas na reabertura do caso.

“Precisamos estabelecer a primeira premissa que é a seguinte: encomendaram a morte do presidente da República. Adélio Bispo é um assassino profissional que foi contratado para assassinar Jair Messias Bolsonaro. Adélio Bispo não agiu sozinho, Adélio Bispo não é louco e existem fortes indícios e robusto conjunto de provas que a esquerda brasileira encomendou a morte do presidente Jair Bolsonaro”, discursou Wassef em conversa com a imprensa em hotel em Brasília.

Adélio foi indiciado pela PF pelo crime de “atentado pessoal por inconformismo político” com base no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional. Ele é detento da Penitenciária Federal de Campo Grande.

O artigo da LSN diz o seguinte: “Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas. Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.”

O atentado à faca ocorreu em 6 de setembro de 2018, durante uma caminhada que Bolsonaro realizava com apoiadores de sua campanha, em Juiz de Fora. O então presidenciável foi atingido na região do abdômen, enquanto era carregado por um simpatizante.

Dois inquéritos da PF concluíram que Adélio agiu sozinho. Wassef acredita que fatos novos devem levar à reabertura das investigações.

Cirurgias de Bolsonaro

Logo após a facada, Bolsonaro foi encaminhado para o Hospital da Santa Casa de Juiz de Fora para uma cirurgia de emergência. Ele teve lesões nos intestinos delgado e grosso e passou por uma cirurgia que durou cerca de 2 horas. O intestino foi ligado a uma bolsa de colostomia. Desde então, ele já foi submetido a mais três procedimentos em decorrência da facada. Relembre abaixo.

A segunda cirurgia, em 12 de setembro de 2018, considerada de emergência, foi para reparar uma obstrução no intestino. O procedimento durou cerca de 1 hora e foi considerado bem-sucedido.

O terceiro procedimento cirúrgico de Bolsonaro ocorreu em 28 de janeiro de 2019, o primeiro já como presidente da República, e serviu para retirar a bolsa de colostomia.

Inicialmente, a cirurgia estava prevista para durar 3 horas, mas devido a uma grande quantidade de aderências, ou seja, partes do intestino que ficaram coladas, a equipe médica teve de fazer um procedimento mais complexo – o que fez com que o tempo total da cirurgia fosse de 7 horas.

Foram retirados de 20 a 30 centímetros do intestino grosso de Bolsonaro na parte que ligava o intestino delgado à bolsa de colostomia.

Em 8 de setembro do ano passado, os médicos corrigiram uma hérnia que surgiu no local do abdômen do presidente. A hérnia ocorreu em razão das últimas três cirurgias. O procedimento, considerado de médio porte, durou 5 horas e foi bem-sucedido.

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