Justiça da Bahia ordena nova perícia no corpo de miliciano

Decisão inclui orientação à SSP-BA para que repasse gravações dos rádios usados na operação que terminou na morte de Adriano da Nóbrega

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atualizado 18/02/2020 21:13

A Justiça da Bahia determinou, no início da noite desta terça-feira (18/02/2020), um novo exame no corpo do miliciano Adriano da Nóbrega, morto no último dia 9 de fevereiro durante uma operação policial em Esplanada (BA). O pedido de uma nova perícia havia sido feito pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), segundo o qual ainda é necessário esclarecer as circunstâncias da morte do ex-PM do Rio de Janeiro, incluindo a trajetória dos tiros.

Por enquanto ainda não há um laudo definitivo da primeira necrópsia, apenas informações preliminares de que Adriano da Nóbrega teria sido atingido por dois tiros, “a pelo menos 1,5 m de distância” e sem sinais de tortura.

A decisão judicial desta terça inclui mais uma proibição de cremação do corpo do miliciano e uma ordem para que o cadáver seja mantido sob refrigeração no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, justamente para a feitura da necrópsia “complementar”. O texto também estipula que sejam repassadas as gravações dos rádios usados pelos agentes policiais no dia da operação e determina a realização de exames papiloscópicos (coleta de impressões digitais) nas munições não deflagradas da pistola encontrada com o miliciano.

As informações são do G1.

Também nesta terça, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ter pedido a realização de uma “perícia independente” para averiguar a morte de Adriano. “Já tomei as providência legais [para] que seja feita uma perícia independente, que sem isso você não tem como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle? Os mesmos a quem não interessa desvendar o caso Celso Daniel”, disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

Entenda o caso
O advogado Paulo Emilio Catta Preta, que defendia Adriano, afirmou ter recebido uma ligação de seu cliente na quarta (05/02/2020) na qual o ex-PM disse que tinha “certeza” de que queriam matá-lo para “queimar arquivo”. A viúva do miliciano também fez o mesmo relato.

Após a morte, Mônica Benício, viúva da ex-vereadora Marielle Franco, e o PSol, cobraram explicações sobre a morte do miliciano. O partido vai pedir uma audiência com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia para cobrar esclarecimentos sobre a morte.

O capitão Adriano estava foragido desde a Operação Os Intocáveis, deflagrada em janeiro de 2019, contra uma milícia que atua em Rio das Pedras, comunidade pobre da Barra da Tijuca. De acordo com a Promotoria do Rio, o grupo atuava na grilagem de terras, em compra, venda e aluguel irregular de imóveis, na cobrança de taxas da população local e na receptação de mercadoria roubada, entre outros crimes. A Receita Federal chegou a fazer uma parceria com a Promotoria do Rio para compartilhar dados fiscais colhidos na Operação Os Intocáveis, com o fim de também elucidar o suposto esquema de desvio de salários.

A mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, trabalhou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro de 6 de setembro de 2007 até 14 de novembro do ano passado. Já a mãe de Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, esteve lotada no mesmo gabinete de 11 de maio de 2016  até 14 de novembro de 2018. Ambas recebiam salário de R$ 6.490,35. Raimunda é citada no relatório do Coaf que investiga corrupção no Legislativo fluminense. Ela repassou R$ 4.600 para a conta de Queiroz.

Quando o Ministério Público Estadual do Rio pediu a quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro e seus assessores, na lista dos alvos constavam os nomes de Raimunda e Danielle, marcados em negrito a fim de ressaltar o elo com o miliciano.

Em dezembro o MP do Rio concluiu que o “capitão” Adriano era beneficiado pelo dinheiro do suposto esquema de “rachadinha” que existia no gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio. Os promotores chegaram a essa conclusão depois de analisar conversas via WhatsApp e dados de transações financeiras do ex-PM. As informações constavam no pedido do Ministério Público Estadual do Rio para que fossem deflagradas buscas e apreensões no caso Queiroz.

Adriano foi homenageado por Flávio em 2003 e 2004 na Assembleia Legislativa por sua atuação como policial. Tanto o senador quanto seu homem de confiança, Fabrício Queiroz, tinham a mesma versão sobre a nomeação. Queiroz afirmou que foi ele mesmo quem indicou a contratação da mãe e da mulher do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega para o gabinete do então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio.

Nota assinada pelo advogado Paulo Márcio Ennes Klein, que atuou na defesa de Queiroz, informa que o seu cliente “é ex-policial militar e conheceu o sr. Adriano na época em que ambos trabalhavam no 18º Batalhão da Polícia Militar e, após a nomeação dele como assessor do ex-deputado estadual, solicitou ao gabinete moção para o sr. Adriano, bem como a nomeação dele para trabalhar no referido gabinete, em razão dos elevados índices de êxito na condução das ocorrências policiais registradas, até então, na equipe em que trabalhava na PM”.

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