Homem revela ter sido laranja em esquema de corrupção na saúde do Rio
De acordo com a denúncia, instituto usava empresas e laranjas para forjar concorrência de contratos
atualizado
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Em processo de investigação contra contratos superfaturados pela prefeitura do Rio de Janeiro, foi revelado que o ex-controlador do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), Luiz Eduardo Cruz, fazia a contratação de laranjas para ceder nome e documentos pessoais para inscrição em empresa usada para forjar concorrência e desviar recursos.
Segundo o jornal O Globo, uma dessas empresas é a Backraft Construções. A pessoa a cargo de administrar a empresa, seria o projetista Leandro Barreto Alevato, que ficou impedido de receber o auxílio emergencial de R$600 por estar cadastrado como dono da empreiteira, que ele afirma não ser.
“Perguntaram se eu poderia emprestar meu nome para disputar concorrências. Eu aparecia como dono de uma empresa (Backraft Construções), mas não respondia por ela. Não sei quantas propostas apresentaram para o Iabas. Nunca ganhei nada e não sabia que o objetivo era desviar dinheiro público. Hoje me sinto mal com isso”, denunciou, ao jornal.
Luiz, sua esposa e outras três pessoas foram presas na semana passada acusadas de desvio de mais de R$6 milhões em verba destinada à Saúde do Rio, do qual a Iabas teve contratos de R$ 3,5 bilhões entre 2009 e 2019.
Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ), a organização terceirizava serviços e comprava produtos de empresas dos mesmos sócios e diretores ou das laranjas. No caso, a Backraft Construções, do qual Leandro foi usado como laranja, apareceu no esquema apresentado pelo MPRJ como a de maior orçamento, forjando uma concorrência para obrigar a contração de uma empresa chefiada pela cunhada de Luiz Eduardo. Outra empresa que integra o esquema é a Remark Rio que, de acordo com Leandro, são do mesmo proprietário. De acordo com O Globo, o suposto dono das empresas teria morrido de Covid-19.
Ao longo dos 12 anos de existência, o Iabas recebeu cerca de R$5,2 bilhões em recursos públicos, dos quais R$ 3,5 bilhões foram pagos pela prefeitura do Rio. A organização foi descredenciada em 2019 quando a empresa municipal RioSaúde assumiu a gestão das unidades de atendimento médico. O instituto chegou a ser multado em 2017 em R$ 27,9 milhões, pelo mal gerenciamento de verbas do Hospital Rocha Faria.
O governador do estado, Wilson Witzel, também suspendeu o contrato com a Iabas pela administração dos hospitais de campanha locais, do qual não cumpriu o prazo de entrega das unidades. Já o prefeito Marcelo Crivella disse que as irregularidades ocorreram na gestão de Eduardo Paes e que nada tem a ver com o atual governo.
A investigação de contratos para a construção dos hospitais de campanha feitos pelo instituto levaram à prisão do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos e dois de seus principais assessores. Tal denúncia motivou também a abertura de um processo de impeachment contra Witzel na Assembleia Legislativa.
