Guedes diz que Brasil deveria estar comprando vacina desde Mandetta

Ministro afirmou que todos têm que "responder sobre essa crise coletivamente" e garantiu que não faltaram recursos para o combate à pandemia

atualizado 17/03/2021 12:13

Ministro da Economia, Paulo GuedesIgo Estrela/Metrópoles

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a entrega de vacinas contra a Covid-19 está atrasada desde a gestão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo em abril de 2020.

“A entrega da vacina não está atrasada só agora, não”, disse Guedes em entrevista à CNN. “No primeiro dia, Mandetta saiu com R$ 5 bilhões no bolso. É desde aquela época que deveríamos estar comprando vacina, não é mesmo? O dinheiro estava lá”, criticou o economista.

Guedes garantiu que nunca faltaram recursos para o combate à pandemia. Apesar do atraso na vacinação, o ministro pontuou que todos têm que “responder sobre essa crise coletivamente”.

“Era possível ter sido mais rápido? Sim. Era possível que a mídia fosse mais construtiva? Era possível que os governadores ajudassem também? O dinheiro foi para os estados. Então, por que os leitos foram desativados? Pois todos nós achávamos que a pandemia estava indo embora”, afirmou.

Com o recrudescimento da pandemia em 2021, o governo federal foi impelido pelo Congresso a reeditar o auxílio emergencial, que foi pago durante seis meses de 2020. Na segunda-feira (15/3), o Congresso promulgou a PEC Emergencial, que autoriza o pagamento do auxílio até o limite de R$ 44 bilhões.

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O Ministério da Economia estuda um valor médio de R$ 250, a serem pagos por quatro meses. O pagamento deve começar em abril. Para a família monoparental dirigida por mulher, o subsídio será de R$ 375; para casal, R$ 250; e para homem sozinho, de R$ 175.

Além desse benefício, o governo quer repetir outros programas que impediram uma queda ainda maior da atividade econômica. Em 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) teve um recuo de 4,1%.

Entre os programas, está a reedição do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que distribuiu crédito para os empreendedores, e o programa que suspendeu salários e contratos para preservar empregos.

“Em vez de dar seguro-desemprego, em que você espera a pessoa ser demitida para dar R$ 1,1 mil, que é o salário-mínimo, vamos nos antecipar. Vamos dar a metade desses recursos para ele continuar empregado”, explicou o ministro.

Privatizações e reforma administrativa

Defensor das privatizações, Guedes defendeu a venda dos Correios e da Eletrobras. “Teremos outras também. O importante é que destravamos a pauta do Congresso”, avaliou.

Guedes também prevê mais rapidez na aprovação da reforma administrativa, que, segundo ele, “já está bastante trabalhada e não atinge nenhum dos direitos adquiridos”.

“Vamos criar um funcionalismo público baseado em meritocracia, e para [o servidor] ganhar estabilidade será necessário analisar vários anos”, disse.

A expectativa é de que a reforma administrativa resulte em uma economia de R$ 300 bilhões ao longo dos próximos 10 anos.

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