Fake news tenta confundir governador do MA com terrorista de Brasília
Mensagem falsa aponta que George Washington seria um petista infiltrado e tenta desvinculá-lo da imagem de Jair Bolsonaro

Circula nas redes sociais um vídeo em que o governador reeleito no Maranhão, Carlos Brandão (PSB — foto em destaque), é identificado como o homem que planejou um atentado com bomba em Brasília. A mensagem falsa visa convencer que George Washington de Oliveira Sousa, 54 anos, seria petista e aliado do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não de Jair Bolsonaro (PL).
O conteúdo falso usa um vídeo real, em que Brandão aparece comemorando a vitória de Lula no segundo turno, em 30 de outubro de 2022, ao lado do ministro escolhido para comandar a pasta de Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB).
“O futuro ministro da Justiça de Lula agarrado a terrorista que implantou explosivos em Brasília, o vídeo é real e está na internet para quem quiser ver”, diz a legenda da publicação enganosa. “Esperamos o posicionamento do futuro ministro explicando tamanha proximidade com um terrorista que se passava por apoiador de Jair Bolsonaro.”
Assista ao vídeo:
Esta semana, outro conteúdo com o mesmo objetivo se repercutiu na internet. O pecuarista Fábio Coutinho Assunção, vice-presidente do Sindicato Rural de Xinguara (PA), divulgou vídeo para desmentir que seria George Washington.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo caso dele, a imagem usada era do pecuarista em um evento, ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), também aliado de Lula.
Esse tipo de narrativa tem circulado em grupos bolsonaristas. Apesar da confissão e da confirmação pelas investigações policial de que George Washington é apoiador radical de Bolsonaro, perfis apoiadores do candidato derrotado nas urnas tentam divulgar uma versão inventada de que o terrorista seria de esquerda e estaria infiltrado no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
Redes bolsonaristas promovem versão de que terrorista é de esquerda
Tentativa de atentado
A menos de uma semana para o grande evento de posse do presidente Lula, a polícia encontrou explosivos em duas regiões de Brasília. No último sábado (24/12), véspera de Natal, as forças de segurança interromperam uma tentativa de detonação de bomba perto do Aeroporto de Brasília. O artefato havia sido deixado sobre os eixos de um caminhão de querosene de aviação.
O empresário bolsonarista George Washington foi preso pela ação e assumiu que planejava cometer atentados em Brasília. Com ele, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apreendeu um arsenal composto por armas, munição e explosivos.
Em depoimento à polícia, o investigado afirmou que veio para a capital federal, em 12 de novembro, “preparado para guerra”. Além disso, declarou que aguardava uma “convocação do Exército” e que era um “defensor da liberdade”.
George acrescentou que pegou armas para “derrubar o comunismo” e que pretendia distribuir armamentos para grupos acampados em frente ao QG do Exército.
“A minha ida a Brasília tinha como propósito participar dos protestos que ocorriam em frente ao QG do Exército e aguardar o acionamento das Forças Armadas para pegar em armas e derrubar o comunismo. A minha ideia era repassar parte das minhas armas e munições a outros CACs [caçadores, atiradores e colecionadores] que estavam acampados no QG do Exército assim que fosse autorizado pelas Forças Armadas”, afirmou.
