Fábio Faria abre mão de candidatura e Marinho deve concorrer ao Senado
Acordo para lançar apenas um candidato do governo no Rio Grande do Norte foi necessário por causa da influência do PT no estado
atualizado
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O ministro das Comunicações, Fabio Faria, anunciou nesta terça-feira (22/2) que abrirá mão de concorrer nas eleições deste ano para que o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, se lance candidato ao Senado Federal pelo Rio Grande do Norte.
Os dois auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PL) tinham interesse em concorrer ao governo do Rio Grande do Norte nas eleições de outubro. A principal adversária será a atual governadora do estado, Fátima Bezerra (PT).
“Hoje eu venho aqui compartilhar com vocês que eu permanecerei ministro das Comunicações. Não serei pré-candidato ao Senado Federal, apesar de estar no meu melhor momento nas pesquisas. 90% de todas as pesquisas do estado me colocam muito bem posicionado”, disse durante coletiva de imprensa, no Palácio do Planalto.
Faria declarou que fez uma reunião com Bolsonaro e Marinho nesta terça-feira antes de realizar o anúncio da desistência.
O acordo para lançar apenas um candidato do governo no estado foi necessário porque, neste ano, há apenas uma vaga de senador por unidade da Federação em disputa. Além disso, em caso de o governo ter dois candidatos, o eleitorado ficaria dividido em uma região na qual o PT tem bastante influência.
Durante o anúncio, o ministro disse que o presidente Jair Bolsonaro não interveio nas negociações, mas chegou a pedir que ele estudasse a possibilidade de se candidatar por São Paulo. O ministro das Comunicações disse que preferiu permanecer no cargo e afirmou que, com a decisão, focará seus esforços na implementação da tecnologia de 5G no país.
“Essa é a minha decisão e estou aqui comunicando a vocês que eu vou concluir a missão e só sairei do ministério após entregar o 5G funcionando nas 27 capitais e que a gente possa realmente colocar o Brasil na economia digital”, disse.
Com a decisão de Faria, o ministro das Comunicações deve continuar no cargo até o fim do atual mandato de Bolsonaro e auxiliar o presidente na campanha pela reeleição. Ele negou que poderá sair como candidato a vice na chapa presidencial.
Ministérios “tampões”
Até o momento, o Palácio do Planalto contabiliza 11 ministérios que terão seus chefes substituídos após o processo de desincompatibilização, em preparativo para as eleições deste ano. A lei determina que autoridades do Executivo federal deixem os respectivos cargos até seis meses antes do pleito, ou seja, até 31 de março.
Mudanças ministeriais às vésperas das eleições costumam ocorrer em todos os governos. Na maioria das vezes, esses cargos são ocupados por interinos, no geral servidores de carreira da própria pasta. As trocas provocam um desfalque momentâneo e, em certa medida, esvaziam os ministérios.
Na semana passada, o presidente disse que tem discutido com o presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, ex-deputado condenado no mensalão, e com seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os futuros integrantes dos chamados “ministérios tampões”.
“Temos conversado entre nós. Desses onze [ministérios], alguns eu já tenho os nomes [de quem irá comandar as pastas] definidos. Não quero falar qual é aqui. Outros não. Uns vão ser aí ministérios temporários, tampões, está certo? E haverá uma grande negociação política para isso daí. […] As negociações são mais com o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, com o meu filho Flávio também, tem me ajudado bastante também o Ciro Nogueira, entre outros poucos. […] Estamos acertando”, disse Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais.
Segundo o presidente, a ideia é que os futuros ministros substitutos não tenham perfis diferentes dos atuais chefes das pastas para, de acordo com Bolsonaro, a estrutura interna e as diretrizes dos órgãos não serem afetadas.
“Pretendemos ouvir os ministros. Já estou ouvindo alguns. Alguns não vou aceitar a indicação deles, mas nenhuma briga entre nós. A indicação vai ser minha para esse ministério tampão para a gente não mexer muito. Se botar um cara diferente lá, o cara vai querer trocar todo mundo. Aí é complica. O elemento tem que ter uma vida pregressa razoável. Não vamos achar santo, mas tudo bem. Tem muita gente boa que não deve nada para ninguém. Deve ter, obviamente a sua prioridade, mas agora tem que ter um certo potencial eleitoral”, afirmou.





















