Entenda por que as cotas na OAB são importantes na representatividade negra
O Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acaba de decidir exigir a paridade de gêneros e cotas raciais nas eleições da Ordem

O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) votou, na semana passada, a paridade de gêneros e cotas raciais nas eleições da Ordem. A regra, obrigatória e de aplicação imediata, já será válida no pleito de 2021, e as chapas só concorrerão às seccionais e às subseções da OAB se tiverem, obrigatoriamente 50% de candidatas mulheres e ao menos 30% de candidatos negros. A decisão não compreende os exames da OAB, apenas as eleições de diretores e conselheiros.
“A decisão é histórica para a OAB. Mesmo em um ano tão atípico e difícil, nossa entidade soube enfrentar com coragem a necessidade de adotar políticas transformadoras. As cotas raciais e a paridade de gênero são mais do que uma necessária e indispensável política de reparação e de inclusão. É o caminho para fortalecer a OAB como grande organização que é. Um orgulho para mim poder presidir a Ordem em um momento histórico”, afirmou o presidente nacional da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz.
A iniciativa de propor a pauta à diretoria da OAB surgiu em março de 2020, quando juristas negras se mobilizaram no âmbito da III Conferência Nacional da Mulher Advogada (CNMA) e elaboraram um plano de ações afirmativas, que requeria ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil uma efetiva inclusão das advogadas e dos advogados negros no Sistema OAB.
Alguns meses depois, em julho de 2020, o conselheiro federal da OAB-CE André Luiz de Souza Costa formalizou a proposição
Os cargos da OAB que necessitam de eleição interna são os de diretoria e conselhos. Na diretoria nacional, estão: Felipe Santa Cruz, presidente nacional da OAB; Luiz Viana, vice-presidente; José Alberto Simonetti, secretário-geral; Ary Raghiant Neto, secretário-geral adjunto; e José Augusto Araújo de Noronha, diretor-tesoureiro. Todos homens, e todos brancos.

Nas seccionais, além dos 3 conselheiros federais e uma média de 25 conselheiros estaduais, existe 5 diretores por estado, até 5 diretores da Escola Superior de Advocacia, até 5 diretores da Caixa de Assistência dos Advogados e pelo menos um presidente do Tribunal de Ética e Disciplina. Todos os postos de diretoria nas seccionais da OAB pelo Brasil somam aproximadamente 1 mil cargos.
Realidade
O baixo número de conselheiros federais autodeclarados negros segue a representatividade negra nos ambientes jurídicos e nos escritórios de advocacia espalhados pelo país. Um levantamento feito pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), em parceria com a Aliança Jurídica pela Equidade Racial, em 2019, apontou que os negros representam 1% dos advogados de grandes escritórios.
Enquanto 10,1% dos brancos são estagiários e 48,3% são sócios, advogados juniores, plenos ou seniores, 10% dos negros são estagiários, mas nos cargos de sócio e de advogado a estatística é “nula” – o estudo registra que isso não significa que não haja negros nessas funções, mas que essa presença se provou estatisticamente irrelevante.
Uma pesquisa


