Dias afirma na CPI que braço-direito de Pazuello centralizou vacinas

Coronel Élcio Franco publicou portaria para centralizar discussão no seu departamento, conforme revelado por Roberto Ferreira Dias

atualizado 07/07/2021 14:55

Roberto Ferreira Dias_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias afirmou, nesta quarta-feira (7/7), que a Secretaria Executiva da pasta centralizou, na gestão do ministro Eduardo Pazuello, todos os processos de aquisição de vacinas contra Covid-19. À época, a secretaria era ocupada por Élcio Franco, braço-direito do general.

Dias afirmou que foi feita uma portaria por Franco para centralizar a discussão e negociação de vacina na secretaria do coronel, e o acusou de exonerar servidores de confiança do seu departamento sem ser consultado. No local dos servidores exonerados, o militar teria emplacado nomes de sua confiança.

O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), defendeu que as informações trazidas por Dias apontam para envolvimento de Franco nas supostas irregularidades cometidas pelo Ministério da Saúde no processo de aquisição das vacinas.

“Como já foi dito aqui, [Elcio Franco]  cada vez mais se envolve, se enrola mais, e a gente começa a encontrar os responsáveis pela pressão no caso Precisa Medicamentos/Bharat Biotech”, disse Randolfe.

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Com Onyx

Élcio, atualmente, é assessor especial da Casa Civil e trabalha para Onyx Lorenzoni. O coronel, inclusive, participou da coletiva de imprensa concedida pelo ministro para negar pressão e irregularidades no processo de compra da vacina indiana Covaxin. Na ocasião, o militar apresentou um documento que, segundo ele, comprovariam a ausência de ilicitudes nos tramites.

O documento foi colocado em suspeição pela senadora Simone Tebet (MDB-MS). A líder da bancada feminina apontou, em sessão do colegiado, que o contrato trazido por Franco “tem excessos de erros e não há marcas de scanner”.

Além disso, o material mostrado pelo coronel apresenta erros grosseiros de grafia, com palavras traduzidas incorretamente e falta de padrões.

Veja vídeo:

Diante da suspeição, senadores solicitaram perícia oficial no documento. Simone Tebet, por sua vez, defendeu a reconvocação do Élcio Franco para depor à CPI. Ele já compareceu ao colegiado, mas para prestar esclarecimentos sobre a gestão de Pazuello no enfrentamento da pandemia.

Dias é acusado pelo vendedor Luiz Paulo Dominguetti Pereira, suposto representante da Davati Medical Supply no Brasil, de pedir US$ 1 por dose para negociar imunizantes. A solicitação teria acontecido em um restaurante no Brasília Shopping, área central de Brasília. Dias nega.

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