CPI ouve empresário acusado de espalhar fake news na pandemia

Segundo colegiado, o empresário Otávio Oscar Fakhoury atuou como "maior financiador de disseminação de notícias falsas"

atualizado 30/09/2021 8:35

Otávio FakhouryImagem cedida ao Metrópoles

Após o tumultuado depoimento de Luciano Hang, a CPI da Covid-19 ouve, nesta quinta-feira (30/9), o empresário e dono do site Crítica Nacional, Otávio Oscar Fakhoury. Ele é apontado como financiador de campanhas de disseminação de informações falsas sobre a pandemia do novo coronavírus.

Na noite dessa quarta (29/9), a defesa do empresário informou que conseguiu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas corpus que lhe dá o direito ao silêncio contra a autoincriminação e a proibição de sua prisão por exercer essa prerrogativa.

Com a audiência, o colegiado segue a linha das investigações que envolvem a propagação de fake news no âmbito da crise sanitária. A convocação de Fakhoury partiu de requerimento de autoria do vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Ele é suspeito de ter repassado dinheiro aos canais Brasil Paralelo, Instituto Força Brasil e Terça Livre. Os blog são alvos da comissão após darem publicidade a medicamentos ineficazes contra a Covid-19, relativizarem a eficácia das vacinas contra a doença e criticarem medidas de isolamento social.

Randolfe acusa Fakhoury de agir como “maior financiador de disseminação de notícias falsas” e dos portais negacionistas. “Esses canais estimularam o uso de tratamento precoce sem eficácia comprovada, aglomeração e diversas outras fake news sobre a pandemia”, pondera no requerimento.

O nome do empresário entrou no radar da CPI após a quebra de sigilos bancário, fiscal, telemático e telefônico dos canais acusados de propagarem notícias inverídicas.

Movimentações levantadas pela Receita Federal e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam transações e financiamentos de Fakhoury aos blogs.

Outras investigações

Esta não é a primeira vez que o empresário é investigado por, supostamente, atuar no disparo e na divulgação de notícias falsas. Fakhoury é velho conhecido de senadores que integraram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News.

Também não se trata da primeira convocação do empresário para prestar esclarecimentos sobre sua ação frente aos blogs. Ele chegou a ser convocado anteriormente pela CPMI.

O empresário ainda é alvo de processos paralelos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram o planejamento de atos antidemocráticos e por ameaças aos ministros da Corte.

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