Com saída de Pazuello, técnicos sinalizam “desmilitarização” na Saúde

Ao menos 25 militares foram colocados em cargos de chefia quando o general assumiu o ministério, após saída de Nelson Teich

atualizado 20/03/2021 8:36

Ministro da saúde eduardo pazuello coletiva saida 6Igo Estrela/Metrópoles

Com a troca de comando no Ministério da Saúde, técnicos de carreira indicam uma nova “era” na pasta. Com a chegada do cardiologista Marcelo Queiroga à chefia, os cerca de 25 militares que ocupam cargos no órgão devem ser trocados por outros nomes.

A expectativa é de que indicações técnicas assumam postos estratégicos e os comandos das principais secretarias. Queiroga garantiu nesta semana que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lhe deu “liberdade” para montar a equipe e a estratégia de combate à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Desde que o general Eduardo Pazuello foi alçado ao cargo de ministro há 11 meses — primeiro, interinamente, depois, como titular — nomes da caserna ganharam destaque no órgão.

Para se ter dimensão do poder verde-oliva na pasta, militares ocuparam cargos nos setores de logística, de planejamento e orçamento, de gestão interfederativa, de monitoramento do Sistema Único de Saúde (SUS) e na administração do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

“É uma clara mudança de posicionamento. Mesmo que seja o mesmo governo, as tendências dos ministros são diferentes. O ministro Pazuello trouxe pessoas da convivência e do meio dele, ou seja, do universo militar. Já o [futuro] ministro Queiroga é médico, com mais de 30 anos de experiência no serviço de saúde”, avalia uma fonte da secretaria-executiva do Ministério da Saúde.

Pazuello deixa o cargo com o país vivendo uma forte alta de casos e mortes pela Covid-19 e patinando na (re)criação de leitos de unidade de terapia intensiva (UTIs) para o tratamento da doença.

Queiroga será o quarto ministro da Saúde a assumir o enfrentamento da pandemia. Antes, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich deixaram a pasta após divergências com o presidente Bolsonaro. Pazuello sai de cena após o desgaste de sua gestão e pressão de diversos setores.
“É um momento muito delicado para a gestão da pandemia. O país errou em muitos momentos, e terá que se esforçar ao máximo para atenuar os problemas. Com o novo ministro pertencendo à área da saúde, o esperado é que a forma de enxergar a pasta seja diferente”, pondera uma técnica de carreira do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O Brasil tem quase de 12 milhões de casos confirmados e se aproxima das 300 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. A vacinação no país atingiu até agora pouco mais de 11 milhões de pessoas.
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Desde o anúncio de um médico para encabeçar o combate à pandemia de Covid-19, a expectativa por alterações na estrutura do Ministério da Saúde começou a tomar conta dos bastidores. Um dos nomes ventilados foi o da epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do PNI. Ela seria um nome para liderar a campanha de vacinação contra a Covid-19.

Em conversa com o Metrópoles, ela afirmou que não tem interesse de assumir cargos no Ministério da Saúde e tampouco voltar ao serviço público.

Mesmo com o otimismo, a interferência do presidente Bolsonaro ainda irá ditar os rumos da pasta. Ele, por exemplo, é contra medidas de isolamento social, uso de máscara e defende tratamento precoce (mesmo sem comprovação científica) como ação contra a Covid-19.

Apesar do anúncio de sucessão, o cardiologista Marcelo Queiroga ainda não teve a indicação oficializada no Diário Oficial da União (DOU), nem tomou posse.

Nesta semana, Queiroga comentou brevemente as mudanças que ocorrerão na pasta. “O presidente me deu autonomia para montar minha [equipe e estratégia], e eu peço a vocês um pouco de paciência, para que, em curto prazo, nós consigamos trazer medidas adicionais as que têm sido colocadas em prática pra que esse cenário melhore”, salientou, antes de uma reunião com Bolsonaro no Palácio do Planalto.

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