Ciro critica segurança e diz que é contra redução da maioridade penal

Para o pré-candidato, uso constante das Forças Armadas no policiamento e intervenção federal no Rio de Janeiro são equívocos

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Sob painel florescente, ao fundo, Ciro Gomes fala no microfone para plateia. Ele usa terno e camisa social - Metrópoles
1 de 1 Sob painel florescente, ao fundo, Ciro Gomes fala no microfone para plateia. Ele usa terno e camisa social - Metrópoles - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, criticou a condução da atual política de segurança pública, em especial, a intervenção federal no Rio de Janeiro e o constante uso das Forças Armadas no policiamento das cidades. Se eleito, Ciro disse que assumiria a responsabilidade sobre esta questão, mas faria “de outra forma”.

“O Exército é treinado para matar o inimigo. A única coisa em que o Exército se parece com a polícia é a farda. O Exército atira na cabeça. A intervenção tem prazo pra terminar. Eu vou assumir o assunto de outra forma”, destacou o pedetista.

Em suas posições, não poupou críticas nem a condução de seu irmão, Cid Gomes, como governador do Ceará, por oito ano. “Sou muito frustrado com o que está acontecendo no Ceará de um tempo para cá. Esse tempo ainda começa no governo do meu irmão. É praticamente pública a minha crítica. Não é por falta de investimentos, mas pelo tradicionalismo do investimento”, apontou.

O pedetista se colocou contrário à redução da maioridade penal, proposta que tramita no Congresso há anos e é defendida por setores mais conservadores.

“As pessoas pensam que quando você é a favor da maioridade penal, você está querendo passar a mão na cabeça de menino de 17 anos que estuprou e matou. Isso não é verdade. Se o menino de 17, 16 anos, que já não é menino, comete um crime qualquer, ele é segregado por até três anos. Nós podemos agravar a pena pela reincidência. Isso não é um problema. Mas não precisa reduzir, porque na hora que reduz, o narcotráfico vai buscar a criança de 12 anos”, defendeu.

Ciro Gomes é o terceiro presidenciável entrevistado nesta semana pela Globonews. Na última segunda-feira (30/7), jornalistas da emissora sabatinaram Alvaro Dias (Podemos). Na terça, ouviram Marina Silva (Rede).

Segundo levantamento CNI-Ibope divulgado no final de junho, Ciro Gomes soma de 4% a 8% nas intenções de voto. No cenário que inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro surge em quarto lugar. Sem o petista, o ex-governador cearense fica em terceiro. Segundo a pesquisa, Ciro é rejeitado por 18% dos eleitores.

A candidatura do ex-governador do Ceará foi confirmada pelo PDT em 20 de julho. Será a terceira vez que ele concorrerá à Presidência. Em 1998, somou 7,426 milhões de votos (10,97% do total válido) e ficou em terceiro lugar. Naquele ano, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito. Em 2002, alcançou o quarto lugar, com 10,170 milhões de votos, 11,97% do total válido. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito no segundo turno.

Ciro busca um nome para concorrer como vice. Nesta quarta (1), a missão ficou mais difícil. O pedetista sofreu um revés após o PSB fechar um acordo eleitoral do PT. Os socialistas vão optar pela neutralidade na corrida presidencial. Ciro cortejava o PSB para compor chapa na disputa pelo Planalto.

No acordo, o PT não vai lançar a vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco e apoiará a reeleição de Paulo Câmara (PSB). Em Minas Gerais, os socialistas não vão lançar Márcio Lacerda ao governo local e apoiarão a reeleição de Fernando Pimentel (PT). Ciro ainda não formalizou nenhuma aliança para a corrida presidencial.

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