Cardozo: acelerar votação do impeachment fere direito de defesa

O ex-ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União disse que ainda não está definido se a presidente afastada fará pessoalmente a sua defesa

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
josé eduardo Cardozo é ouvido pela comissão especial do Senado que analisa o processo de impeachment
1 de 1 josé eduardo Cardozo é ouvido pela comissão especial do Senado que analisa o processo de impeachment - Foto: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-ministro da Justiça e da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, afirmou que a proposta de antecipar o calendário da votação do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff fere o direito de defesa. “Estão atingindo brutalmente o direito de defesa. Estão inclusive impedindo a produção de provas em questões centrais para a defesa”, afirmou. “O que querem que a gente faça, que nos ajoelhemos?”, criticando a decisão de Antonio Anastasia de não incluir na defesa os áudios do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com os ministros do governo em exercício.

Mais cedo, o presidente da Comissão Especial do Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), aceitou uma questão de ordem da senadora Simone Tebet (PMDB-MS), que encurtou os prazos do processo de impeachment em relação ao cronograma sugerido na última semana. Apesar disso, a comissão ainda não aprovou o cronograma e aguarda a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, que coordena agora o processo.

Cardozo, que é o responsável pela defesa de Dilma, disse que ainda não está definido se a presidente afastada fará pessoalmente a sua defesa. Se o novo cronograma for aprovado, Dilma poderá ser interrogada no próximo dia 20. O ex-ministro disse ainda que vai aguardar a decisão do Supremo para entrar com recurso contra a decisão do novo cronograma. “Em uma situação de poucas horas o pisoteio do direito de defesa foi descomunal”, afirmou.

O ex-ministro criticou ainda a postura do relator do processo de impeachment, Antonio Anastasia (PSDB-MG), que apresentou parecer contrário à inclusão da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com os áudios do senador Romero Jucá (PMDB-RR) no processo. Essa é a principal aposta da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff.

Segundo ele, a decisão e Anastasia “rasga literalmente o direito de defesa”. “A situação é mais grave do que na Câmara. Se aprovarem esse parecer (do Anastasia) será a maior violência institucional promovida até hoje nesta Casa, maior do que a promovida pelo presidente afastado Eduardo Cunha”, disse. “Não querem que nós tragamos as provas do processo. Querem nos impedir de produzir as provas”, completou.

Cardozo disse ainda que o objetivo de “apressar a solução” confirma a tese que há desvio de poder. “Arguimos a suspensão do senador Anastasia e estão ignorando até agora. Ele não poderia proferir nada enquanto isso não fosse definido”, disse. “Queremos provar que tudo isso foi uma manipulação.”

Pressa
Hoje pela manhã, o ministro da Casa Civil do presidente em exercício Michel Temer, Eliseu Padilha, disse que para todas as partes envolvidas há o interesse que o processo de impeachment seja resolvido o quanto antes. “Se consultássemos cada cidadão, ele diria que quer, sim, definir logo o processo e que este período de transitoriedade do governo Temer acabe”, afirmou. “Se formos perguntar ao governo afastado, por óbvio. Para nós, governo Temer, interessa, sim, que o processo seja resolvido o mais breve possível, obedecendo as regras fixadas pelo Supremo Tribunal Federal”, ponderou.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?