Candidaturas laranjas: DEM liderou maior esquema do país, diz PF

Candidata do Acre, que concorreu a deputada estadual, recebeu R$ 240 mil do Diretório Nacional. Apesar disso, obteve apenas 6 votos

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atualizado 25/11/2019 16:10

Uma investigação da Polícia Federal aponta que a verba eleitoral pública do Democratas (DEM) nacional foi desviada por meio da maior candidatura laranja das eleições de 2018.

As informações são da Folha de S. Paulo.

Uma candidata do Acre, que concorreu ao mandato de deputada estadual, recebeu R$ 240 mil do Diretório Nacional da sigla. Ela declarou ter contratado 46 pessoas para atividades de mobilização de rua, entre elas, dois coordenadores de campanha, além de aluguel de 16 automóveis, confecção de santinhos e contratação de anúncios. A candidata ainda recebeu R$ 39.500 em doações de material eleitoral.

Apesar do grande investimento, a policial militar Sonia de Fátima Silva Alves (foto em destaque) obteve apenas seis votos. Ela se tornou a candidata com o voto mais caro do país. Por apoiador, foram R$ 46,6 mil de verba pública.

A maior parte da verba foi repassada por meio de uma transferência eletrônica assinada em 13 de setembro de 2018 por Romero Azevedo, tesoureiro nacional, e “A Magalhães NT”, Antonio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM.

De acordo com o inquérito da PF, Sonia foi usada como candidata laranja para desvio dessas verbas para beneficiar a campanha do deputado federal Alan Rick (AC), presidente do Diretório Estadual do DEM e integrante da Executiva Nacional do partido. Ele foi eleito com 22.263 votos.

“Sendo Alan Rick o beneficiado direto com os gastos de campanha da candidata e tendo ele, ao mesmo tempo, controle do comitê financeiro, que é quem responde civil e criminalmente pelas irregularidades, parece sinalizar que, sem eximir os demais membros do comitê de parte da responsabilidade, Alan Rick Miranda é responsável pelas irregularidades identificadas”, diz relatório do delegado responsável, Jacob Guilherme da Silveira Farias de Melo.

Na apuração sobre o caso do DEM, a Polícia Federal relatou que Sonia não teve votação na cidade de um de seus supostos coordenadores de campanha. Além disso, um de seus supostos cabos eleitorais publicou em suas redes sociais pedido de voto para outro candidato.

Dois ex-integrantes da campanha do DEM no Acre confirmaram, em depoimento à PF, a existência da candidatura laranja.

“Recente investigação da Polícia Federal em Pernambuco apurou fato semelhante no partido PSL, onde o presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar, foi investigado pelo desvio dos recursos do fundo com candidaturas femininas laranjas. Ocorre que os fatos narrados na presente investigação são muito mais graves. Os desvios foram maiores e operacionalizados de forma muito visível (inclusive com reportagens sérias publicadas em fevereiro de 2019), tornando necessário medidas proporcionais”, escreveu o delegado da Polícia Federal.

Além do deputado Alan Rick, sua mulher, Adriana Michele (tesoureira da sigla), e mais de 30 outras pessoas são suspeitas de integrarem o esquema. Nessa investigação, a PF cita a ocorrência de seis crimes.

O que diz Alan Rick
A assessoria do deputado Alan Rick afirmou, por meio de nota, que Sonia foi escolhida já perto da eleição para a vaga de uma candidata que havia desistido. Disse ainda que o expressivo repasse de vergas foi feito para que a candidata pudesse reverter a situação de desvantagem.

“Além de ingressar tardiamente na campanha, a candidata enfrentou diversos contratempos, a exemplo de erros na confecção do material de propaganda e grave enfermidade”, diz a resposta.

A assessoria de Rick afirma ainda que a verba empregada “nem sempre traz o resultado desejado para o candidato e para o partido, mas é certo que os resultados servem para o aprimoramento das escolhas futuras em novos pleitos”.

Também por meio de nota, a assessoria do DEM nacional afirmou que aprovou a resolução, em 2018, determinando a transferência de verba para a conta bancária de candidatas mulheres e definiu que “lideranças partidárias de cada estado teriam a responsabilidade de identificar a viabilidade eleitoral das concorrentes”.

“Os critérios, fixados após iniciativa do presidente nacional do partido, ACM Neto, foram estabelecidos para impedir quaisquer desvios desses valores por parte dos candidatos homens.”

Na nota, o DEM ainda diz que “continua acompanhando os desdobramentos das investigações realizadas no estado do Acre”.

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