Câmara adia reforma do IR e Lira reclama de pressão por "privilégios"
Estados e municípios também alegam perda na arrecadação com o corte maior no IR e na redução dos impostos para empresas

A Câmara dos Deputados adiou a votação da reforma do imposto de renda (IR) para a próxima terça-feira (17/8) depois de um acordo fechado entre os líderes partidários no plenário. Este é o terceiro adiamento da votação.
Deputados avaliaram a necessidade de que o relatório apresentado pelo deputado Celso Sabino (PSDB-PA) tenha mais tempo para ser debatido com o objetivo de evitar que estados e municípios sejam prejudicados com perda de arrecadação.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), acertou os termos. Ele, no entanto, reclamou que o adiamento só irá propiciar “barganhas corporativas” para “manter privilégios” e se mostrou céticos em relação a um acordo amplo em torno de uma reforma de impostos.
“O momento, de agora para frente, não é mais de críticas nem de sugestões. É de barganhas corporativas, todo mundo querendo manter privilégio, e esse plenário soberanamente vai decidir na parcimônia”, afirmou, ao ouvir pedidos de deputados de oposição pelo adiamento. “Não há como fazer acordo”, disse Lira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO relatório apresentado pelo deputado Celso Sabino (PSDB-PA) prevê redução de até 1,5 ponto percentual na cobrança da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para as empresas, já em 2022.
A alíquota cobrada, com a mudança, passará de 9% para 7,5%. No texto original, essa contribuição não mudaria.
A redução foi uma estratégia adotada pelo relator para diminuir a resistência de estados e municípios à reforma.
A proposta também reduz o Imposto de Renda para empresas, que cairá de 15% para 6,5% em 2022 e para 5,5% em 2023. O adicional de 10% da alíquota do IRPJ para os lucros que ultrapassem os R$ 20 mil reais mensais, que existe hoje, fica mantido.
Com essa mudança, o relator ampliou o corte de impostos para empresas, em relação à proposta do Ministério da Economia. No texto do governo, a alíquota do IR para pessoas jurídicas cairia de 15% para 12,5% em 2022 e para 10% em 2023.
Estados e municípios também alegam perda na arrecadação com o corte maior no IR.
Na discussão em plenário, o líder do PSB, deputado Danilo Cabral (PE), argumentou que secretários estaduais estão preocupados com o impacto da reforma. Ele apontou ainda que o deputado Celso Sabino (PSDB-PA) havia prometido uma reunião para tratar do parecer, o que ainda não ocorreu.
“A imprensa divulga matéria ratificando preocupação que havíamos colocado, dizendo que há perdas da ordem de R$ 16 bilhões para Estados e municípios”, disse. “É impossível fazer acordo com os estados como eles querem e não há nenhum tipo de prejuízo como eles dizem. Dizer que CSLL faz base de cálculo para FPE é coisa de se estarrecer”, afirmou.















