Brasil defendeu no Brics “solução pacífica” na Ucrânia, diz Itamaraty

Líderes do bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul trataram da “situação na Ucrânia” na cúpula desta semana

atualizado 24/06/2022 16:11

André Borges/Especial para o Metrópoles

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou, nesta sexta-feira (24/6), que líderes do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) trataram, na 14ª Cúpula, da “situação na Ucrânia”. A reunião do bloco foi realizada por videoconferência entre quinta e sexta-feira, sob a presidência da China, que exerce o cargo pro tempore.

Segundo a nota do Itamaraty, os chefes de Estado recordaram suas posições nacionais sobre o tema, conforme defendidas nos foros pertinentes das Nações Unidas.

“O Brasil defendeu a solução pacífica e negociada do conflito, clamou pela busca urgente de solução para a crise humanitária e ressaltou a necessidade de respeito ao Direito Internacional e aos princípios da Carta da ONU”, diz a nota.

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A participação russa na cúpula foi considerada positiva para a nação europeia, que tentar dar sinais de que não está isolada no cenário internacional após a invasão à Ucrânia. Na quarta-feira (22/6), o presidente russo, Vladimir Putin, pediu ajuda dos demais países para superar as sanções econômicas impostas pelo bloco europeu e pelos Estados Unidos em retaliação à invasão.

“Nossos empresários estão sendo obrigados a desenvolver suas atividades em condições difíceis, já que os aliados ocidentais omitem os princípios de base da economia de mercado, do livre-comércio”, lamentou Putin em discurso gravado transmitido no Fórum Empresarial dos Brics, na véspera da reunião com os demais líderes.

Em discurso de menos de quatro minutos transmitido na quinta-feira, Bolsonaro não comentou a guerra no Leste Europeu. Disse apenas que Putin o recebeu “muito bem” em fevereiro deste ano em seu país e tratou de outros assuntos.

Veja a íntegra da nota do Itamaraty:

Ministério das Relações Exteriores
Assessoria Especial de Imprensa

Nota nº 101
24 de junho de 2022

XIV Cúpula do BRICS

Realizou-se, em 23 e 24 de junho, em formato virtual, a 14ª Cúpula do BRICS, sob a presidência de turno da China, com o tema “Promover uma Parceria de Alta Qualidade e Inaugurar uma Nova Era para o Desenvolvimento Global”.

No dia 23, os Presidentes Jair Bolsonaro, do Brasil, Xi Jinping, da China, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, Narendra Modi, da Índia, e Vladimir Putin, da Rússia, debateram temas como governança global, combate à pandemia da COVID-19, recuperação econômica, desenvolvimento sustentável, cooperação intra-BRICS e aprimoramento institucional do grupo. Também aprovaram a Declaração Final do encontro.

O Presidente Jair Bolsonaro enfatizou a importância que o Brasil atribui ao BRICS como foro de diálogo e cooperação, que reforça a relevância do multilateralismo e de uma ordem internacional mais justa e inclusiva. Reiterou a visão do Brasil de que o BRICS deve orientar sua parceria para o desenvolvimento sustentável e por resultados concretos que gerem benefícios para todos.

Os líderes expressaram satisfação com os resultados da cooperação intra-BRICS, da qual decorreu o lançamento, neste ano, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Vacinas do BRICS, e reforçaram os avanços nas áreas de economia, finanças e comércio; saúde e vacinas; combate ao terrorismo e a crimes transnacionais; e ciência, tecnologia e inovação.

Trataram, ainda, da situação na Ucrânia e recordaram suas posições nacionais sobre o tema, conforme defendidas nos foros pertinentes das Nações Unidas. O Brasil defendeu a solução pacífica e negociada do conflito, clamou pela busca urgente de solução para a crise humanitária e ressaltou a necessidade de respeito ao Direito Internacional e aos princípios da Carta da ONU.

No dia 24, o Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, representou o Brasil no “Diálogo de Alto Nível sobre o Desenvolvimento Global”, iniciativa que visa a ampliar o diálogo do BRICS com outros países em desenvolvimento e demonstrar a vocação do grupo para fortalecer o papel das economias emergentes na governança global. A convite da presidência de turno chinesa, participaram desse segmento os líderes da Argélia, da Argentina, do Camboja, do Cazaquistão, do Egito, da Etiópia, de Fiji, da Indonésia, do Irã, da Malásia, do Senegal, da Tailândia e do Uzbequistão.

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