Boris Johnson elogia vacina contra Covid e Bolsonaro ri: “Ainda não tomei”

Presidente está apto a tomar vacina desde abril, mas diz que só vai se vacinar depois que "o último brasileiro for imunizado"

atualizado 20/09/2021 17:45

O presidente Jair Bolsonaro acompanhado do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris JohnsonAlan Santos/PR

Em reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesta segunda-feira (20/9), em Nova York, o primeiro-ministro britânico, Boris Johson, recomendou a vacina da AstraZeneca/Oxford contra a Covid-19. No Brasil, o imunizante é produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“É uma ótima vacina. Eu tomei AstraZeneca. Obrigado, pessoal. Tomem vacinas da AstraZeneca! Eu tomei duas vezes”, disse o premiê. A declaração foi divulgada pela agência Reuters.

Na sequência, Bolsonaro aponta o dedo para si e, aos risos, assinala que ainda não foi imunizado contra a doença. “Ainda não”, declarou o chefe do Executivo brasileiro.

O presidente já está apto a tomar a vacina contra a doença desde abril deste ano, mas afirma que só receberá a proteção contra o vírus após o último brasileiro ser imunizado.

“Todo mundo já tomou vacina no Brasil? Depois que todo mundo tomar, eu vou decidir meu futuro”, pontuou o presidente na quinta-feira (16/9), em transmissão nas redes sociais.

Segundo levantamento feito pelo Metrópoles, Bolsonaro está entre os 60 chefes de governo dos países integrantes da ONU que não informaram, oficialmente, se foram vacinados contra a Covid-19.

Bolsonaro na ONU

A 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) deve reunir mais de 100 líderes na sede da organização, em Nova York. Neste ano, o evento será realizado no modelo híbrido, com participações virtuais, gravadas e presenciais, diferentemente da edição passada, que foi 100% virtual, devido à pandemia de coronavírus.

O presidente Jair Bolsonaro deve fazer o discurso de abertura do debate, na manhã de terça-feira (21/9). Esta será a terceira vez que Bolsonaro abre o evento. Em 2019, o presidente afirmou que o Brasil tinha um “compromisso solene” com a preservação ambiental e defendeu a soberania na Amazônia. 

Em 2020, o chefe do Executivo brasileiro, assim como outros chefes de Estado, participou de forma remota, em razão da pandemia. Na ocasião, o mandatário disse que o Brasil era “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.

No discurso deste ano, o presidente deve voltar a tratar da pauta ambiental. Em transmissão ao vivo nas redes sociais na quinta-feira (16/9), ele disse que fará críticas a eventual derrubada do marco temporal na demarcação de terras indígenas no país.

O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o tema desde o dia 26 de agosto. Segundo a tese do marco temporal, índios só podem reivindicar a demarcação de terras já ocupadas por eles antes da data de promulgação da Constituição de 1988.

Na quarta-feira (15/9), o ministro Alexandre de Moraes pediu vista do julgamento, ou seja, mais tempo para analisar o processo. Até o momento, o placar está em 1 a 1. O ministro Nunes Marques apresentou voto favorável à tese, enquanto Edson Fachin, relator do caso, foi contrário.

Na live, Bolsonaro insistiu na avaliação de que o marco temporal é um “perigo” e um “risco” para a segurança alimentar nacional e mundial, pois terá impacto direto na inflação dos alimentos.

“O que a gente espera é que seja mantido esse marco temporal. Na semana que vem, vou estar na ONU, terça-feira o discurso lá, […] e o que eu devo falar? Algo nessa linha: se o marco temporal for derrubado, se tivermos que demarcar novas áreas indígenas, e hoje em dia nós temos aproximadamente 13% do território nacional demarcado como terra indígena, já consolidado… Caso tenha esse novo marco temporal, essa área vai dobrar”, afirmou o presidente.

As afirmações de Bolsonaro, contudo, foram contrariadas por cinco economistas ouvidos pelo Metrópoles. Na avaliação de todos eles, a relação entre o disparo da inflação e a alteração do marco temporal “não faz sentido”.

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