Bolsonaro: “Implodi o Inmetro” por troca dos taxímetros

O presidente criticou ações de fiscalização e controle e disse que o órgão tem que "trabalhar para o Brasil"

Mike Sena/Especial para o Metrópoles

atualizado 22/02/2020 14:03

O presidente Jair Bolsonaro disse que tomou a decisão de “implodir” o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), depois de uma portaria editada pelo órgão determinar a troca de tacógrafos analógicos pelos digitais. Tacógrafos são os instrumentos usados para medir a velocidade de automóveis, os chamados “pardais”.

O presidente falou sobre o órgão quando comentava, em entrevista no Guarujá, no litoral de São Paulo, sobre a reforma administrativa e tributária, propostas que ele pretende enviar para a Câmara após o carnaval.

“Por exemplo: implodi o Inmetro. Implodi, mandei todo mundo embora. Por quê? Há poucos meses assinaram portaria para trocar tacógrafos. O tacógrafo, em vez de ser o normal, inventaram um digital. Mandei implodir, mandei acabar com isso daí”, disse o presidente.

“Começou no Rio. Não sei se veio para São Paulo. Trocar todos os taxímetros. Por quê? 400 reais cada um. Os tacógrafos, 1900. Multiplica pelos milhões de veículos que tem tacógrafo. Táxi, só no Rio, 40 mil. Para que?”, questionou.

O Inmetro é a autarquia federal responsável por executar políticas nacionais de metrologia, fiscalizar o cumprimento de normas técnicas, métodos e instrumentos de medição e unidades de medida.

O presidente criticou a atuação do órgão. “Não temos que atrapalhar a vida de quem produz. Temos que facilitar. Faça diferente. Os novos, tudo bem. Mas tirar do pessoal, não tem que implodir, cortar a cabeça de todo mundo para sentir que mudou o governo. Não tem mais espaço para gentinha. Lá, o Inmetro, tem uma influência enorme em quem produz. Não pode o empresariado ter medo de nós. Pelo contrário”, argumentou o presidente.

A entrevista ocorreu na porta de um supermercado no Guarujá. Pela manhã, Bolsonaro foi a estabelecimentos comerciais da cidade, no litoral paulista. Além de visitar dois supermercados, esteve em uma padaria, onde tomou café.

Bolsonaro criticou ainda a ação do órgão de instalar chips em bombas nos postos de gasolina para evitar fraudes durante a venda. “Estava inventando também. Botar um chip em cada bomba de gasolina”, criticou o presidente que repetiu que a reforma tributária deve cuidar apenas de impostos federais.

“Se botar estados e municípios, vai acontecer o que eu vi ao longo de 28 anos na Câmara. Não se resolve e continua esse emaranhado de leis”, disse.

O presidente ainda informou que colocou na chefia do órgão um coronel formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e que a orientação é colocar o instituto “trabalhando para o Brasil”.

“Está lá o coronel formado pelo IME. Vai me dar um relatório toda semana. Quero o Inmetro trabalhando pelo Brasil”, disse o presidente, ao se referir a Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, que preside o órgão.

Além da presidência, o Inmetro tem seis diretorias: Diretoria de Administração e Finanças; Diretoria de Avaliação da Conformidade; Diretoria de Metrologia Aplicada às Ciências da Vida; Diretoria de Metrologia Científica e Tecnologia; Diretoria de Metrologia Legal e a Diretoria de Planejamento e Articulação Institucional.

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