Bolsonaro escapou de processo em 2013 por suposto soco em Randolfe

Na época, em que era deputado federal, Bolsonaro teria desferido golpe contra o senador Randolfe Rodrigues durante uma visita ao Doi-Codi

atualizado 12/04/2021 15:18

Presidente Bolsonaro faz pronunciamento sobre o novo auxílio emergêncial.Rafaela Felicciano/Metrópoles

A ameaça feita por Bolsonaro ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), nesta segunda-feira (12/4), na qual disse que “sairia na porrada” com o senador em conversa com o também senador Kajuru, não é o primeiro episódio de violência do chefe do Executivo contra Randolfe.

Em 2013, Bolsonaro foi acusado de socar Randolfe na barriga durante uma visita da Comissões da Verdade da Câmara e do Senado à sede do extinto Doi-Codi, no Rio de Janeiro.

Em meados de setembro de 2013, os membros das Comissões da Verdade da Câmara e do Senado visitavam o edifício do extinto Doi-Codi, no Rio de Janeiro. Bolsonaro, mesmo não sendo integrante, tentou forçar a entrada e ficou irritado após ter sido impedido de participar da visita, segundo a declaração do senador.

Bolsonaro deu, segundo o depoimento do parlamentar, um golpe na barriga de Randolfe, afirmando que queriam impedi-lo de entrar “no próprio quartel”.

“Dissemos para o Bolsonaro que ele não podia entrar, e que não era bem-vindo. Ele disse: ‘Olha só quem quer me impedir de entrar no meu quartel!’. Falei: ‘O senhor não integra esta comissão e não tem nada a ver com essa visita’. Ele me chamou de ‘moleque’, abaixou e deu um soco por baixo, no meu estômago. Depois do soco, eu empurrei ele, ele me empurrou e me chamou de ‘vagabundo’. Eu disse que o ‘cara de pau’ é ele, que não deveria estar lá”, disse Randolfe em 2013.

O Partido Socialismo e Liberdade (PSol), à época, entrou com representação disciplinar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados contra Bolsonaro pelo suposto soco. Entretanto, por unanimidade, o colegiado rejeitou a abertura de processo. Na ocasião, Bolsonaro negou a acusação.

“Sair na porrada”

Em um trecho de uma conversa telefônica entre o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na qual trataram da CPI da Covid, divulgado nesta segunda-feira (12/4), Bolsonaro diz que iria “sair na porrada” com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ações do governo federal na pandemia de Covid-19.

“Se você [Kajuru] não participa [da CPI], vem a canalhada lá do Randolfe Rodrigues, vai participar e vai começar a encher o saco. Daí vou ter que sair na porrada com um bosta desse”, diz Bolsonaro na gravação.

Kajuru afirmou ter tentado preservar seu colega de Senado e considerou desnecessária a divulgação do trecho no qual o mandatário ofende o senador amapaense, que é líder da oposição na Casa.

Em sua conta do Twitter, o senador Randolfe Rodrigues respondeu. “A violência costuma ser uma saída para os covardes que têm muito a esconder. Não irão nos intimidar! Especialmente porque sabemos que a fraqueza desse governo está em todos os âmbitos”, escreveu no post.

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