Bolsonaro diz que despesa no exterior nunca chegou a US$ 1 mil
Presidente é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por possíveis irregularidades nos gastos com cartão corporativo
atualizado
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta segunda-feira (14/2) que as despesas particulares no exterior nunca ultrapassaram US$ 1 mil. O presidente é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por “possíveis irregularidades na publicidade e nos gastos” com o cartão corporativo.
“Quando eu viajo para o exterior, como eu vou hoje, a minha despesa particular nunca chegou perto de US$ 1 mil. Um tempo atrás, um ano e meio atrás, tava com ajudante de ordem do meu lado e eu falei para ele: compra US$ 1 mil no Banco do Brasil. E falei meio devagar, mas o pessoal ouviu, né? ‘Presidente, tá comprando dólar?’ Falei: estou comprando US$ 1 mil para a minha viagem aos Estados Unidos. Nego deu risada.”
A fala foi feita a apoiadores reunidos no cercadinho do Palácio da Alvorada e divulgada por um canal no YouTube simpático ao presidente. Bolsonaro embarca no fim da tarde desta segunda para a Rússia.
No início de fevereiro, o TCU abriu uma investigação do presidente da República após provocação do senador Fabiano Contarato (PT-ES).
No pedido de investigação, o senador alegou que houve “aumento considerável” das despesas nos últimos anos e apontou possível uso indevido dos recursos públicos.
Em sua defesa, o mandatário já afirmou que dá exemplo de economia, “não pedindo aposentadoria da Câmara” e “desligando aquecedor da piscina do Palácio da Alvorada”.
“Eu dou exemplo. Agora há pouco, a TV Globo falou que eu e meu filhos gastamos horrores no cartão corporativo. O meu gasto, como estou aqui hoje, tem despesa no cartão corporativo. Quando estive no Suriname, teve despesa. Eu viajo, diferentemente dos outros que não tinham como viajar, porque não tinham o que fazer”, disse Bolsonaro em entrevista coletiva em Porto Velho.
Segundo levantamento do Metrópoles, o valor gasto pela Presidência da República até outubro de 2021 foi de R$ 15,2 milhões. Do total, R$ 15,1 milhões estão sem informações públicas sobre onde foram gastos — o que equivale a 99,2% de todo o valor contabilizado.
Antes de assumir o mandato, Bolsonaro adotava discurso contrário ao excesso de uso dos cartões corporativos e chegou a acenar com o fim do mecanismo.
Custo da viagem presidencial ao Oriente Médio foi de R$ 3,6 milhões
Em novembro de 2021, o “giro comercial” do presidente pelo Oriente Médio custou mais de R$ 3,6 milhões aos cofres públicos brasileiros. Os números foram fornecidos pelo Ministério das Relações Exteriores ao Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O chefe do Executivo federal visitou três nações: Emirados Árabes, Bahrein e Catar. De acordo com o Itamaraty, o objetivo da viagem foi fortalecer as relações do Brasil com países da região do Golfo Pérsico, grandes produtores de petróleo que têm fundos soberanos de investimentos.
Do montante gasto, R$ 1,9 milhão foi destinado às diárias para alimentação e hospedagem e outros R$ 373 mil em passagens para bancar a ida do presidente ao continente asiático, de seguranças do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), de assessores pessoais de Bolsonaro, além da comitiva de ministros e uma equipe de suporte, como intérpretes e auxiliares locais.
