Bolsonaro desafia governadores a criarem auxílio de R$ 1.000

Presidente voltou a falar que benefício é "um endividamento". Ele ainda disse que estados da Região Nordeste têm caixa para inflar auxílio

atualizado 29/04/2021 20:50

Presidente Jair Bolsonaro Rafaela Felicciano/Metrópoles

Em tom crítico, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu nesta quinta-feira (29/4) que governadores do país criem um auxílio emergencial de R$ 1.000 em vez de ficarem “criticando o baixo valor pago pelo governo federal”.

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro voltou a falar que o benefício é um endividamento. Ele ainda disse que estados, principalmente os da Região Nordeste, têm caixa para inflar o auxílio.

“Esse auxílio emergencial, a gente apela aos excelentíssimos governadores que poderiam – vocês que fecham comércio que destroem milhões de empregos –, vocês podiam fazer o auxílio emergencial. Coloca R$ 1.000 até o fim do ano, já que me criticam, né? Bota R$ 1.000”, desafiou.

“Em especial os estados do Nordeste, que fizeram caixa com o nosso recurso do ano passado e têm dinheiro para dar um auxílio emergencial, complementar até R$ 1.000, até o fim do ano em vez de ficar criticando o governo federal e destruindo empregos”, emendou.

Em 2021, o retorno do benefício vem sendo feito em quatro parcelas, com valores específicos conforme o perfil de quem recebe. O valor médio dessa rodada é R$ 250, mas pode variar de R$ 150 a R$ 375 a depender da composição de cada família.

No ano passado, o auxílio emergencial socorreu 68 milhões de cidadãos diretamente, totalizando um gasto público sem precedentes, que atingiu montante superior a R$ 300 bilhões em pagamentos. Os beneficiados receberam ao menos cinco parcelas de, no mínimo, R$ 600.

Em setembro, o governo decidiu prorrogar o auxílio até dezembro, no valor de R$ 300, mas redefiniu as regras e só 56% dos aprovados fora do Bolsa Família tiveram direito a receber mais quatro parcelas extras.

Declaração semelhante

Em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro defendeu que os governadores que “fecharem” os seus respectivos estados deviam arcar com os custos do auxílio emergencial.

“O auxílio emergencial vem por mais alguns meses e, daqui pra frente, o governador que fechar o seu estado, o governador que destrói emprego, ele é que deve bancar o auxílio emergencial. Não pode continuar fazendo política e jogar para o colo do presidente da República essa responsabilidade”, disse o Bolsonaro durante um evento no Ceará.

Além disso, em conversa com apoiadores à época, o presidente criticou os governadores que criaram programas próprios de auxílio emergencial.

“O que nós temos de mais sagrado é a nossa liberdade. Parte da imprensa deturpou quando falei como é fácil ter uma ditadura no Brasil, no ano passado, naquela sessão que vazou. O pessoal vai devagar tirando seu ganha pão, você passa a ser obrigado e ser sustentado pelo Estado. Tem governador agora que está falando em auxílio emergencial, querem fazer o Bolsa Família próprio. Quanto mais gente vivendo de favor de estado, mais dominado fica esse povo”, disse Bolsonaro.

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