Bolsonaro “confessa” que Wal do Açaí “nunca esteve em Brasília”

MPF apontou improbidade administrativa do presidente e da ex-secretária. Segundo Bolsonaro, Walderice tomou posse "por procuração"

atualizado 24/03/2022 20:36

Jair Bolsonaro, atual presidente do Brasil para o mandato de 2018 a 2022. Ele tem cabelos curtos, pretos e usa terno e gravata - MetrópolesJP Rodrigues/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (24/3) “confessou” nesta quinta-feira (24/3) que Walderice Santos da Conceição, conhecida como “Wal do Açaí”, ex-secretária parlamentar e que trabalhou no gabinete dele à época em que era deputado federal, nunca esteve em Brasília. Segundo ele, a ex-funcionária tomou posse no cargo “por procuração”.

Durante sua transmissão nas redes sociais, o mandatário da República criticou investigação do Ministério Público Federal (MPF), que, nesta quarta-feira (23/3), pediu para que Bolsonaro e Walderice sejam condenados pela prática de improbidade administrativa, além de solicitar o ressarcimento dos recursos públicos indevidamente desviados.

“Dá até vergonha do MP investigar isso daí. Wal nunca esteve em Brasília. Não precisa interrogar ela, não, nem a mim. Estou confessando: ela nunca esteve em Brasília. É verdade. Tomou posse por procuração”, revelou o presidente. “Pega mal para o Ministério Público fazer isso aqui”.

Na live, Bolsonaro disse que a prática de manter funcionários no estado de origem do deputado, sem que eles viajem para Brasília, é comum entre parlamentares. 

“Ela nunca esteve mesmo [em Brasília], pelo que tenho conhecimento, ela nunca esteve em Brasília, a Wal. Ela mora num distrito de Angra dos Reis. Tem deputados aqui, não vou perguntar. Eu duvido qual deputado fora do DF que não tenha [funcionários fora de Brasília]”, disse Bolsonaro.

Entenda o caso

Wal é alvo de uma investigação do Ministério Público depois que o jornal Folha de S.Paulo revelou, em 2018, que a funcionária continuava vendendo açaí numa praia de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, no horário do expediente como funcionária de Bolsonaro, à época em que era deputado. Ela estava na condição de secretária parlamentar do gabinete do parlamentar.

Walderice trabalhava no Rio mesmo aparecendo desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro, com salário de pouco mais de R$ 1.300. Após a repercussão, a funcionária pediu demissão do cargo.

As regras da Câmara dos Deputados determinam que uma pessoa que ocupa o cargo de secretário parlamentar precisa trabalhar 40 horas semanais no gabinete em Brasília ou no escritório no estado do parlamentar – o que não ocorria com Wal. Esses funcionários são pagos com a verba de gabinete, ou seja, dinheiro público.

A análise das contas bancárias de Walderice revelou, ainda, uma movimentação atípica, já que 83,77% da remuneração recebida nesse período foi sacada em espécie. Em determinados períodos, o percentual de saques supera 95% dos rendimentos.

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